Recomendações da PUC-Rio e o Impacto Financeiro
O aumento da tarifa do metrô no Rio de Janeiro está em pauta, com o valor passando de R$ 7,90 para R$ 8,20. Contudo, a diferença será coberta por um subsídio, o que, na prática, significa que os passageiros não terão economia, mas deixarão de pagar ainda mais. Essa estratégia representa um aumento nas despesas do governo estadual.
A recomendação para esse subsídio veio da agência reguladora, embasada em um estudo realizado pela PUC-Rio. Segundo a pesquisa da universidade, manter o preço da passagem nesse patamar teria um custo anual estimado em R$ 50,3 milhões. Por outro lado, o governo projeta um impacto financeiro menor, em torno de R$ 37 milhões.
A Secretaria de Transportes do estado ficará encarregada de cobrir esses custos durante um ano em que o déficit fiscal deve diminuir de aproximadamente R$ 19 bilhões para R$ 12 bilhões, com a adesão ao Programa de Refinanciamento de Dívidas dos Estados (Propag).
O Metrô do Rio e a Comparação com Outras Capitais
Mesmo com a implementação do subsídio, o Rio de Janeiro manterá a tarifa de metrô mais alta do Brasil. Em comparação, em Belo Horizonte a passagem é de R$ 5,80; em Brasília, R$ 5,50; em São Paulo, R$ 5,40; e em Fortaleza, apenas R$ 3,60.
De acordo com especialistas da PUC-Rio, o sistema de transporte sobre trilhos da Região Metropolitana enfrenta o que é conhecido como “espiral da morte”, um fenômeno no qual o desequilíbrio financeiro e a perda de demanda se alimentam mutuamente.
Consequências da Aumento de Tarifa e Sugestões de Melhoria
Uma elevação no preço ou uma deterioração da qualidade do serviço tende a afastar os usuários, que buscam alternativas como ônibus ou transportes individuais, incluindo corridas por aplicativo. Isso resulta em uma queda na receita, comprometendo a sustentabilidade do metrô, trens e barcas.
Para combater esses problemas, uma das sugestões é a implementação de uma integração tarifária completa entre todos os modais de transporte público da Região Metropolitana, com uma tarifa unificada e racionalizada. Isso exigiria um modelo de financiamento equilibrado e sustentável, com uma melhor coordenação entre o Governo do Estado e os municípios do Grande Rio.
“O primeiro passo é garantir recursos para custear o subsídio. O segundo aspecto que tornaria essa estratégia mais eficiente é a utilização adequada do subsídio, que deve ser direcionado para integrar os diferentes meios de transporte, permitindo que os passageiros utilizem mais de uma opção de forma vantajosa. Assim, é possível alcançar uma economia de escala”, explica um conselheiro da ANP Trilhos.
Benefícios para Usuários de Baixa Renda
No Rio de Janeiro, os usuários de baixa renda têm direito a uma tarifa social de R$ 5,00, válida até 11 de abril. Nesta quarta-feira (25), o governador Cláudio Castro (PL) anunciou a renovação desse benefício.
Cabe lembrar que, em junho do ano passado, o então secretário de Transportes, Washington Reis, chegou a anunciar a redução da tarifa de metrô para esse patamar, mas a proposta não se concretizou.

