Investigação Aprofundada Revela Conexões Criminosas
A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o deputado estadual Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), expôs um esquema de vazamento de informações que transcende as paredes do legislativo fluminense. Bacellar, preso em dezembro, é suspeito de ter alertado o ex-deputado Thiego Santos, conhecido como TH Joias, sobre sua iminente prisão em uma operação contra o crime organizado. Os detalhes da operação, realizada em setembro do ano passado, levantaram suspeitas sobre a possível divulgação de informações sigilosas, uma vez que TH Joias não foi encontrado em sua residência no momento da ação policial.
Logo após sua prisão, Bacellar foi solto graças à revogação da detenção por seus colegas deputados. Desde então, ele tem solicitado diversas licenças para se ausentar das atividades legislativas. TH Joias, por sua vez, enfrenta acusações de estar envolvido em organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e comércio ilegal de armas, segundo dados da PF.
Indiciamentos e Conexões Perigosas
Na última sexta-feira (27), a PF formalizou o indiciamento de Bacellar e TH Joias por obstrução de justiça, juntamente com outras três pessoas, incluindo Flávia Júdice, esposa do desembargador Macário Júdice Neto, que era responsável pelo gabinete de Bacellar. Jéssica de Oliveira Santos, esposa de TH Joias, e Thárcio Nascimento Salgado, assessor parlamentar, também estão entre os indiciados. O desembargador Júdice Neto é mencionado no relatório como a fonte do vazamento de informações sobre a prisão de TH Joias, mas não foi indiciado devido ao seu foro privilegiado. O caso agora será encaminhado à Procuradoria-Geral da República.
No relatório, os investigadores destacam a habilidade de Bacellar em articular suas relações políticas e criminosas, descrevendo-o como tendo um “capital político” que lhe permitia garantir favores e contrapartidas, colocando seus aliados em uma situação de dependência. Essa capacidade de articulação é vista como a razão pela qual Bacellar ocupava uma posição de liderança na organização criminosa sob investigação.
A Influência de Bacellar no Governo do Estado
A PF identificou, ainda, que Bacellar mantinha uma forte influência sobre a administração do governador Cláudio Castro (PL), sendo responsável por diversas indicações de cargos no governo. Essa estratégia de manter seu poder no parlamento estaria ligada ao seu interesse em preservar uma base de apoio entre os colegas deputados. As investigações revelaram uma planilha eletrônica intitulada “PEDIDOS EM 72-04-23.XLSX”, encontrada no computador do chefe de gabinete de Bacellar, Rui Bulhões Júnior, que lista os pedidos de nomeações de deputados estaduais e os cargos já ocupados.
Entre os beneficiados pelas indicações, estão nomes como Douglas Ruas, pré-candidato ao governo do Rio, e Guilherme Delaroli, presidente interino da Alerj. Segundo a PF, a influência de Bacellar superava a de seus antecessores, aproveitando-se da fragilidade política do governador Castro. O relatório ressalta que Bacellar, desde sua ascensão à presidência da Alerj em fevereiro de 2023, utilizou sua posição para potencializar a influência do legislativo nas decisões do governo.
Campanha Eleitoral e Escândalos
Os investigadores também descobriram que Bacellar já estava em campanha para o governo do Estado, preparando sua equipe e planos para uma futura administração. Um caderno pessoal do deputado continha a lista de nomes que ele pretendia indicar para seu secretariado, o que demonstra a seriedade de suas intenções políticas. O relatório menciona que, com a iminente desincompatibilização do atual governador para concorrer a uma vaga no Senado, Bacellar se preparava para ocupar a posição de governador do estado, conforme relatado por Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixo, que teria ligações com o Comando Vermelho.
Além disso, Bacellar é réu em outro inquérito, que investiga contratações irregulares no Centro de Estatísticas, Pesquisa e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e na Uerj. A PF encontrou indícios de que esses contratos teriam sido utilizados para pagamento de cabos eleitorais nas últimas eleições. Um trecho da planilha indica que o deputado Rodrigo Amorim (União Brasil) solicitou novos cargos para “compensar Ceperj”.
Defesas e Controvérsias
As defesas de Bacellar e TH Joias refutaram as acusações. A equipe de Bacellar afirmou que as investigações carecem de provas concretas e se baseiam em suposições, chamando o indiciamento de arbitrário. Por outro lado, a defesa de TH Joias negou qualquer envolvimento do ex-deputado em atos ilícitos, caracterizando sua relação com Bacellar como meramente profissional e de colegas. As repercussões sobre esse caso complexo continuam a se desenrolar, revelando uma rede de corrupção e conexões perigosas no governo do Estado do Rio de Janeiro.

