Uma nova perspectiva sobre a cultura afro-brasileira
Está marcada para o dia 27 de março a abertura da exposição “Território Inventivo Pequena África”, que será realizada no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB). Esta iniciativa promete trazer uma visão histórica sobre a região que abriga atualmente sete bairros do Rio de Janeiro e que desempenhou um papel crucial na formação da cultura brasileira.
O projeto é uma realização do Instituto CIRCOMUM, conhecido por sua gestão de projetos como o Circo Crescer e Viver e o Museu Casa Darcy Ribeiro. A nova exposição irá incorporar ao MUHCAB o conteúdo da plataforma Território Inventivo, que tem como missão resgatar a historiografia local e refletir sobre como as intervenções urbanas impactaram a vitalidade criativa da região.
A Pequena África, berço de diversas manifestações que moldaram a identidade cultural do Brasil, é composta pelas áreas da Saúde, Gamboa, Santo Cristo, Centro, Catumbi, Estácio e Cidade Nova, além dos morros da Providência, Livramento, Pinto, Conceição e São Carlos. Esse território é reconhecido por ter sido o local onde se desenvolveram expressões artísticas afrocariocas, judaicas e ciganas, que são fundamentais para a cultura popular do país.
De acordo com Junior Perim, Diretor do Instituto CIRCOMUM, a ideia de transformar o conteúdo da plataforma – que foi criada em parceria com a Prefeitura do Rio, através da Casa Civil – em uma exposição foi impulsionada pela proposta de integrar esse material ao acervo permanente do MUHCAB. Esta parceria também conta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura e a oportunidade proporcionada pela área de ESG da VIBRA energia, que está patrocinando a iniciativa através da Lei Rouanet, visando a valorização do território onde atua.
“A proposta é uma mistura de arte e tecnologia, com um ambiente totalmente imersivo, utilizando inteligência artificial e realidade aumentada em duas salas dedicadas. Além disso, a organização do acervo e reservas técnicas do MUHCAB também será aprimorada, permitindo que o material seja geolocalizado e disponibilizado na plataforma”, explica Perim.
O que o público encontrará na exposição
A exposição contará com diversas atrações interativas que prometem encantar os visitantes. Entre elas, uma maquete interativa que apresenta um mapa físico em 2D da Pequena África, destacando importantes locais como o Largo da Prainha, o Morro da Conceição e o Cais do Valongo. Essa representação volumétrica permitirá que o público explore a riqueza histórica e cultural da região de forma envolvente.
Outro destaque é a linha do tempo digital, que proporcionará uma animação em looping, ilustrando a história deste espaço e sua importância cultural. A proposta é oferecer uma leitura dinâmica e acessível das informações mais relevantes sobre o MUHCAB.
Uma das inovações mais interessantes da exposição são os espelhos interativos com personagens históricos. Ao se aproximar da tela, os visitantes poderão ver suas próprias imagens refletidas, que serão integradas com figuras emblemáticas como André Rebouças, Beth Carvalho e Zumbi dos Palmares, entre outros. Esses personagens ganharão vida em realidade aumentada, permitindo uma experiência única aos participantes.
Além disso, um mapa interativo touchwall mostrará as rotas dos escravizados originários da África, promovendo uma reflexão sobre a diáspora. Um totem digital chamado Territórios Inventivos Pequena África também estará disponível para uso interativo, enriquecendo ainda mais a experiência do visitante.
Uma estrutura informativa digital, o painel origens, abordará as raízes e a diáspora, enquanto personagens em realidade aumentada estarão dispostos em diferentes espaços do MUHCAB, possibilitando que os visitantes interajam com eles e compartilhem suas experiências nas redes sociais.
Por fim, a equipe educativa do MUHCAB receberá do Instituto CIRCOMUM dois óculos Meta 3 e dois tablets, que auxiliarão na integração da narrativa educativa com a exposição, utilizando recursos de realidade aumentada. Com tantas atrações, a exposição “Território Inventivo Pequena África” promete não apenas informar, mas também emocionar e engajar o público, fortalecendo o legado cultural da região.

