A Paixão pelo Samba e a Conexão Cultural
A relação entre Brasil e Argentina é frequentemente marcada pela rivalidade no futebol, mas para a cantora argentina Maria Alejandra Fernandez, conhecida como Ale Maria, essa conexão vai muito além das quatro linhas. Neste sábado, 10 de março, ela se apresenta no Museu do Samba, no Rio de Janeiro, com o show “O samba nasceu em mim”, revelando sua profunda ligação com este gênero musical brasileiro que a conquistou.
Com uma trajetória que se entrelaça entre os dois países, Ale Maria encontrou no samba uma verdadeira paixão. Nascida na Argentina, a artista construiu sua carreira na vibrante cena musical carioca, onde se dedicou às rodas de samba, uma tradição tão querida no Brasil.
“Espero que o público entre com uma expectativa e saia com uma nova visão sobre o samba”, afirmou Ale Maria. “É um estilo de vida para mim. Não consigo viver sem samba. É a minha filosofia de vida”, completou a artista, destacando seu respeito pelo gênero e a dedicação que coloca em cada apresentação.
A Música Desde a Infância
Desde pequena, a música esteve presente na vida de Ale Maria. Filha de uma família simples, seus primeiros contatos com as notas musicais vinham das canções que sua mãe inventava, proporcionando um ambiente criativo e acolhedor. “Lembro das fitas cassete que gravávamos para enviar à minha avó em Buenos Aires”, contou a artista. Essas lembranças moldaram sua infância, onde a música sempre teve um papel central.
A música chamamé, um gênero tradicional na região do nordeste argentino, também fez parte de seu repertório inicial. Sua mãe, além de compor, encorajava Ale Maria e seu irmão a se apresentarem em festivais, criando assim uma base sólida para sua futura carreira.
O contato com a música brasileira surgiu mais tarde, em uma roda de samba que Ale Maria descobriu em Buenos Aires. Mesmo antes disso, o samba já fazia parte de sua vida, devido à sua proximidade com a fronteira brasileira. O carnaval, especialmente, serviu como uma ponte cultural entre os dois países.
A Decisão pelo Samba e a Mudança para o Brasil
Após concluir o ensino médio, Ale Maria inicialmente iniciou os estudos em Medicina, mas logo percebeu que seu verdadeiro chamado estava na música. Mudou para Psicologia, com foco em Musicoterapia, mas a música sempre foi sua verdadeira paixão. Em 2008, sua vida tomou um novo rumo ao conhecer uma roda de samba em Palermo, Buenos Aires. “Eu fiquei encantada e pensei: ‘É isso que eu quero fazer’”, relembra.
Esse encontro foi um divisor de águas. Em uma das suas visitas ao Rio de Janeiro, ela teve a oportunidade de subir ao palco do Cacique de Ramos, um dos mais tradicionais redutos do samba carioca. Ali, emocionou-se ao cantar, o que a motivou a fazer a mudança definitiva para o Brasil, em 2016. “Foi um momento que mudou tudo para mim”, disse Ale Maria, que trouxe consigo o seu cachorro, Xangô, cuja escolha do nome reflete sua conexão com a cultura afro-brasileira.
Preparando-se para o Show no Museu do Samba
Com o espetáculo “O samba nasceu em mim”, Ale Maria se prepara para mais um capítulo em sua carreira. Para viabilizar a apresentação, ela investiu recursos próprios e reuniu amigos músicos, incluindo argentinos. O nome do show faz referência a um verso do sambista Arlindo Cruz, e a música que intitula o espetáculo é uma das que mais a representa. “Resumiu bem a história que construí com o samba”, afirma.
O show promete ser uma celebração da música brasileira, um tributo à cultura do samba e à conexão que Ale Maria criou entre Brasil e Argentina. Ao longo de sua jornada musical, a artista conquistou não só o respeito do público, mas também a admiração de importantes figuras do samba, como Bira Presidente, que a apoiou desde o início. “Sua morte foi uma grande perda para mim”, revela, destacando a influência que ele teve em sua trajetória.
Agora, com um novo passo em sua carreira, Ale Maria espera que seu show no Museu do Samba seja não apenas uma apresentação, mas uma troca cultural rica, onde a música se torna um elo de união entre os dois países.

