Consequências Econômicas do Conflito
A guerra no Oriente Médio está gerando um impacto significativo na economia brasileira, especialmente no setor de combustíveis. Com o aumento das tensões e ataques à infraestrutura de petróleo, especialistas alertam que a alta nos preços pode se tornar estrutural. Em um cenário em que o petróleo já se aproxima dos US$ 120, um aumento que não acontecia desde 2022, o risco é que esses preços influenciem o custo de vida dos brasileiros.
Um estudo recente da Serasa Experian destaca que o setor agrícola, um dos pilares da economia nacional, atingiu 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, refletindo o impacto devastador da inflação e dos custos crescentes. O desafio, segundo os economistas, é prever a duração desse conflito e como ele afetará os preços do petróleo, câmbio e outros ativos no Brasil.
Aumento dos Preços dos Combustíveis
Com a paralisação do tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, os preços do petróleo no mercado internacional estão em alta. O presidente dos Estados Unidos chegou a afirmar que a guerra poderá durar de quatro a cinco semanas, o que traz incerteza ao mercado energético. No Brasil, por exemplo, a defasagem entre os preços praticados pela Petrobras e o mercado internacional é alarmante. Os preços do diesel estão, em média, 85% mais baixos em comparação com o exterior, e o da gasolina, 49% mais barato.
Os dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) mostram que, apesar de a Petrobras não ter alterado seus preços, os valores já estão aumentando nos postos. Um levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP) revelou que, na última semana, o preço da gasolina subiu de R$ 6,28 para R$ 6,30. O diesel também apresentou alta, passando de R$ 6,03 para R$ 6,08.
Impacto na Inflação e Juros
O temor de uma alta persistente nos preços do petróleo pode afetar a inflação brasileira, que já apresentou uma desaceleração desde fevereiro, quando estava em 5,06%, para 4,44% em janeiro. O Banco Central pode ser forçado a manter a taxa de juros elevada por mais tempo, dificultando cortes que já estavam previstos. Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, a alta do petróleo pode provocar uma pressão inflacionária imediata, afetando os preços ao consumidor e, consequentemente, o frete.
Frete e Custo do Transporte
Os preços de frete já estão sendo afetados pela situação no Oriente Médio. Dados da consultoria Solve Shipping indicam que o custo médio para importar um contêiner de 40 pés da Ásia para o Brasil saltou para US$ 3.100, uma cifra três vezes superior ao valor registrado em fevereiro. Leandro Barreto, diretor da Solve, observa que essa alta é, em parte, consequência da guerra.
Se a situação do transporte marítimo se agravar ainda mais, o impacto se estenderá à navegação interna no Brasil, elevando os custos de transporte em toda a cadeia produtiva. Luis Resano, da Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (Abac), aponta que todos os setores poderão sofrer com os aumentos de frete, que inevitavelmente serão repassados aos consumidores.
Efeitos nas Exportações
Por outro lado, o Brasil, como um grande produtor de commodities, pode se beneficiar do aumento nos preços internacionais, especialmente do petróleo. No entanto, setores que são os principais exportadores para o Oriente Médio, como os de carne de frango, açúcar e milho, poderão enfrentar desafios. As exportações de frango brasileiro, em particular, que fazem uso do selo halal, são significativas para a região. Em 2024, o Brasil vendeu cerca de US$ 16 bilhões para 14 países do Oriente Médio.
Perspectivas de Investimentos
O cenário atual também está despertando novo interesse em investimentos nas áreas de petróleo e gás no Brasil. Com o preço do petróleo se mantendo acima de US$ 100, várias operadoras estão reconsiderando projetos que estavam em espera. A Petrobras, por exemplo, possui uma carteira avaliativa de US$ 18 bilhões em projetos que podem agora ser reavaliados.
Desafios para o Agronegócio
Por fim, as tensões no Oriente Médio acendem um alerta no agronegócio brasileiro, especialmente em relação aos custos de insumos, como fertilizantes, dos quais o Brasil depende fortemente de países da região. A situação exige monitoramento próximo para evitar que a escalada de preços impacte de forma negativa a produção e a economia como um todo.

