Operação Anomalia: Revelações e Prisões
A Polícia Federal (PF) deu início, nesta terça-feira (10), à segunda fase da Operação Anomalia, que visa desmantelar conexões entre organizações criminosas e servidores públicos no Rio de Janeiro. Durante a operação, três policiais civis, incluindo um delegado, foram detidos por extorquir dinheiro de traficantes do Comando Vermelho (CV). Na etapa anterior, realizada na segunda-feira (9), um delegado da própria PF foi um dos alvos da operação.
Ao todo, os agentes da PF cumpriram quatro mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão, emitidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os presos dessa fase incluem Franklin Jose de Oliveira Alves, um policial civil, Leandro Moutinho de Deus, outro policial civil, e Marcus Henrique de Oliveira Alves, o delegado.
Segundo informações da PF, os servidores públicos envolvidos praticavam extorsões de forma reiterada, emitindo intimações com o único objetivo de coagir e pressionar líderes do tráfico no Rio de Janeiro. Eles exigiam propinas consideráveis em troca da omissão de atos de ofício, estabelecendo prazos e utilizando intermediários para manter uma distância das facções criminosas.
Apreensões e Medidas Judiciais
Além das prisões, a Suprema Corte também determinou o afastamento imediato dos policiais de suas funções públicas e a suspensão das atividades empresariais relacionadas às práticas criminosas. Os valores em contas bancárias e criptoativos ligados aos envolvidos foram bloqueados. A inteligência financeira da PF já havia identificado movimentações milionárias incompatíveis com os salários oficiais dos policiais, o que levanta suspeitas sobre a origem dos recursos.
“Para ocultar e dissimular o capital ilícito, a estrutura criminosa contava com uma rede de empresas de fachada, registradas em nome de familiares dos investigados”, detalhou a nota divulgada pela PF. Os policiais podem responder por crimes como organização criminosa, extorsão, corrupção passiva e ativa, além de lavagem de dinheiro.
Retrospectiva da 1ª Fase da Operação
Na etapa anterior da Operação Anomalia, a PF cumpriu três mandados de prisão. Entre os detidos estavam Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes, já encarcerado, e Fabrizio Romano, um delegado da PF lotado na Delegacia de Crimes Previdenciários. Patrícia Falcão, uma advogada, também foi presa, enquanto um quarto alvo permanece foragido.
Patrícia é advogada de Gerel Lusiano Palm, detido pela PF em julho de 2021 na Barra da Tijuca. Natural de Curaçao, Lusiano foi sentenciado na Holanda a 20 anos de prisão por tentativa de homicídio e porte ilegal de arma. O seu nome figura na lista da Interpol dos criminosos mais procurados do mundo.
As investigações revelam que Patrícia teria procurado Carracena em 2023, oferecendo R$ 150 mil em propina para obstruir o processo de extradição de Lusiano. O ex-secretário teria usado sua influência para contatar pessoas que atendessem à advogada, sendo Fabrizio um dos mencionados, com acesso ao sistema policial para buscar informações sobre o processo.
Com a continuidade das investigações, a PF também está averiguando se o delegado Fabrizio teve contato com outros criminosos, incluindo Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão, agora encarcerado junto a outros envolvidos. A operação reforça a necessidade de combater a corrupção e as ligações entre o crime organizado e setores da polícia.

