Programa de Acesso ao Wegovy no SUS
A farmacêutica Novo Nordisk, conhecida por seus medicamentos voltados à perda de peso, anunciou um novo programa que disponibilizará o Wegovy em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) em estados como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além de um terceiro local que ainda será definido. Este projeto surge em um momento crucial, coincidindo com a celebração do Dia Mundial da Obesidade, no último 4 de março, e tem como objetivo estudar, a longo prazo, o impacto da semaglutida na saúde pública e sua relação com questões socioeconômicas.
Atualmente, a distribuição de canetas emagrecedoras no SUS é bastante restrita. Os resultados obtidos a partir deste programa piloto poderão fornecer informações relevantes para a futura inclusão de tais medicamentos na saúde pública brasileira.
Quem Tem Direito ao Wegovy no SUS?
O programa, desenvolvido em colaboração com o Ministério da Saúde, será oferecido em três unidades do SUS. Duas delas já estão confirmadas: a rede pública federal em Porto Alegre, no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), e o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (Iede) na rede estadual do Rio de Janeiro. O terceiro local ainda está em processo de definição.
De acordo com informações da farmacêutica, cada unidade médica terá autonomia para estabelecer os critérios de elegibilidade para o tratamento com semaglutida, considerando os protocolos e necessidades do atendimento local. A expectativa é de que sejam atendidos pacientes com obesidade que já recebem cuidados nessas instituições, levando em conta fatores como índice de massa corporal (IMC) e a presença de outras condições de saúde, conhecidas como comorbidades.
Desafios para a Incorporação Definitiva
Apesar da expectativa gerada em torno da distribuição do Wegovy, a ampla disponibilização de canetas emagrecedoras no SUS enfrenta barreiras relacionadas a questões econômicas. Para serem incorporados à saúde pública, os medicamentos precisam ser aprovados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
No caso da semaglutida, ativo do Wegovy (também presente no Ozempic), a Conitec já emitiu um parecer desfavorável em uma análise realizada no ano passado, que também incluiu a liraglutida entre os medicamentos não aprovados. A comissão destacou que, embora os remédios sejam reconhecidos por sua segurança e eficácia, ainda existem dúvidas quanto à sua custo-efetividade. Isso significa que é necessário avaliar se o investimento no medicamento resulta em economias para os cofres públicos devido à redução das doenças que poderiam ser tratadas por ele.
Um dos pontos levantados pela Conitec é a necessidade de uso contínuo da semaglutida, o que levanta preocupações sobre o risco de reganho de peso caso o tratamento seja interrompido. Atualmente, a oferta de canetas emagrecedoras no SUS depende de iniciativas locais, que têm gerado certa controvérsia. Em fevereiro, por exemplo, o município de Urupês, em São Paulo, anunciou a distribuição do Mounjaro na rede pública, mas depois informou que os pacientes receberiam uma versão manipulada da tirzepatida, cuja segurança e eficácia podem não ser equivalentes ao produto original.
No entanto, no novo programa da Novo Nordisk, foram garantidas doses originais de semaglutida, formalmente indicadas para o tratamento de obesidade e sobrepeso, especialmente em pacientes com comorbidades. Para obter os resultados esperados, é essencial que o fármaco seja utilizado em combinação com uma dieta hipocalórica e aumento da atividade física, promovendo assim um controle eficaz do peso.

