Cláudio Castro Sob Pressão: Possível Renúncia e Crise na Direita
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), atravessa um momento de intensa pressão no Palácio Guanabara. Sob a expectativa de decisões judiciais que podem resultar em sua cassação, a direita fluminense se vê em uma situação de incerteza. Durante uma reunião do grupo político que apoia o governador, realizada na quinta-feira (19), seus aliados descreveram seu estado emocional como instável, com Castro considerando a possibilidade de renunciar ao cargo até segunda-feira (23), data que antecede o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que pode determinar sua saída.
Segundo informações de pessoas próximas, a cassação de Castro e do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), é vista como certa. Essa iminente mudança cria um vácuo de poder sem precedentes no estado, uma vez que a saída definitiva de Bacellar obrigará a Alerj a organizar, em um curto espaço de tempo, uma eleição para escolher um novo presidente. Com a renúncia de Castro antes da cassação, a nova direção da Alerj terá apenas cinco sessões plenárias para realizar essa eleição indireta, uma tarefa desafiadora.
A situação se complica ainda mais diante da decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, que alterou as regras sobre o tempo de saída do cargo para quem desejar concorrer. Enquanto os deputados aprovaram um prazo de 24 horas, Fux estabeleceu seis meses, inviabilizando, por exemplo, a candidatura de Douglas Ruas ao governo provisório. Essa nova dinâmica cria uma série de obstáculos para a direita, que enfrenta dificuldades em encontrar nomes viáveis dispostos a assumir os riscos envolvidos nesta transição.
O deputado estadual Guilherme Delaroli, atual presidente em exercício da Alerj, exemplifica a complexidade do cenário. Embora seja considerado um dos principais candidatos para o mandato-tampão no Executivo, ele enfrenta um dilema legal: ao assumir o governo agora, Delaroli somente poderá concorrer à eleição de outubro para o cargo de governador. Entretanto, seus aliados já apontam Douglas Ruas como candidato, o que gera mais insegurança sobre como convencer alguém a ocupar a posição interina por alguns meses e depois ficar sem mandato por quatro anos. Essa ponderação, feita por um político influente, ilustra bem o impasse em que a direita se encontra.
Apesar dos desafios, a direita fluminense acredita que possui os votos necessários para assegurar a continuidade do controle da Alerj e, assim, vencer a disputa pelo mandato-tampão. O cenário é de expectativa e incertezas, enquanto os aliados de Castro e os integrantes da Alerj tentam articular uma saída que garanta a estabilidade do governo em um momento tão crítico.

