Futuro Político em Suspenso
A renúncia do governador Cláudio Castro (PL), programada para a tarde desta segunda-feira (23/3), desencadeia uma série de incertezas na administração do Rio de Janeiro. A ausência de um vice-governador em exercício coloca a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) no centro do processo, que terá que convocar eleições indiretas para escolher um mandatário temporário.
Na última semana, uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, impediu que os principais nomes considerados para o cargo assumissem a posição, alterando as diretrizes para a seleção do novo governador interino. Isso poderá influenciar até mesmo as eleições programadas para outubro.
Cláudio Castro propôs um evento às 16h30 para formalizar sua renúncia, que acontece um dia antes da reabertura do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde o governador poderá ser cassado por alegações de irregularidades em sua campanha de 2022, tornando-o inelegível.
Com a vacância simultânea do comando do governo e da vice-governadoria, a Alerj terá um prazo de 48 horas para organizar as eleições indiretas, que devem ocorrer no máximo 30 dias após a renúncia de Castro.
No período que antecede a escolha do novo governador, a liderança do estado ficará sob a responsabilidade do desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). Isso se deve à suspensão do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, em decorrência de uma investigação que envolve suspeitas de obstrução de Justiça e conexões com o crime organizado.
Regras Eleitorais em Debate
Inicialmente, as normas estabelecidas pela Alerj para a escolha do governador interino previam um prazo curto de 24 horas para que candidatos em cargos públicos pudessem se desincompatibilizar e participar do pleito. Além disso, a votação seria realizada de forma aberta. Contudo, a decisão do STF, liderada por Fux, declarou inconstitucional esse prazo e introduziu um intervalo de seis meses para a desincompatibilização. A votação também deverá ser secreta, visando proteger os deputados estaduais em virtude da violência no estado.
“Nas eleições indiretas para os cargos de governador e vice-governador, o Poder Legislativo atua como um colégio de eleitores, devendo ser aplicadas aos parlamentares votantes as mesmas garantias do eleitor em geral para mitigar pressões indevidas e preservar a liberdade do voto”, afirmou Fux em sua decisão.
Candidatos Fora da Disputa
Ainda que a decisão do STF necessite da validação no Plenário, suas regras já estão em vigor e, devido à urgência do processo eleitoral, é esperado que as diretrizes impostas por Fux sejam seguidas, possivelmente antes que o caso chegue ao Plenário do Supremo.
Essa nova configuração limita a participação dos principais nomes que eram considerados favoritos, como Douglas Ruas (PL), Nicola Miccione (PL) e André Ceciliano (PT). Ruas e Miccione atualmente ocupam cargos dentro do governo de Castro, enquanto Ceciliano atuava como secretário de Assuntos Parlamentares na Secretaria de Relações Institucionais (SRI) do governo federal.
O caso chegou ao STF por iniciativa do PSD, partido do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que também se apresenta como potencial candidato nas eleições de outubro. A mudança nas regras, ao excluir Douglas Ruas da corrida, favorece Paes ao retirar um concorrente forte de um possível papel de destaque durante a campanha, permitindo que ele amplie sua visibilidade sem adversários diretos na administração provisória.

