Crescimento da Segurança Digital nos Aplicativos de Delivery
O avanço acelerado do setor de delivery no Brasil não só aumentou o número de pedidos, mas também fez com que a segurança se tornasse uma prioridade vital. Com o aumento das transações online, tanto a proteção contra fraudes digitais quanto a segurança física dos entregadores têm se tornado questões centrais para as plataformas. Especialistas destacam que assegurar dados, transações e a integridade das pessoas envolvidas é fundamental para o funcionamento eficaz desses serviços.
Segundo o Relatório de Tendências de Fraude da TransUnion Brasil, quatro em cada dez brasileiros já enfrentaram tentativas de fraude no ambiente digital, um fenômeno que se estende aos aplicativos de entrega de alimentos. Claudio Pasqualin, vice-presidente da TransUnion Brasil, ressalta o crescimento alarmante de golpes em que criminosos se fazem passar por atendentes, buscando obter informações sensíveis como códigos e senhas.
Para responder a esse desafio, muitas empresas têm se mobilizado para implementar mecanismos de segurança mais robustos, além de aumentar a colaboração com instituições financeiras e autoridades competentes. “Não existe uma solução única; a integração de diferentes mecanismos, aplicados de forma inteligente ao longo da jornada digital, tem se mostrado a abordagem mais eficaz”, afirma Pasqualin. Contudo, ele salienta que o grande desafio reside em encontrar um equilíbrio entre a proteção de dados, a viabilidade dos negócios e a experiência do usuário.
O iFood, por exemplo, adotou sistemas de inteligência artificial que monitoram o risco das transações em tempo real, identificando padrões suspeitos durante o processo de pedido. De acordo com a empresa, as perdas mensais provocadas por fraudes chegaram a cerca de R$ 20 milhões, mas essa cifra foi reduzida com a implementação das novas medidas. Atualmente, a taxa de chargeback — quando o cliente contesta uma compra e solicita o estorno — gira em torno de 0,1%.
A Evolução dos Golpes e a Resposta das Empresas
Paulo Cesar Costa, CEO da PH3A, uma empresa focada em tecnologia e soluções inovadoras, observa que muitas fraudes se originam a partir de cadastros inconsistentes ou de identidades manipuladas. Para mitigar esse risco, é necessário realizar um cruzamento de dados, histórico e comportamento digital dos usuários. “À medida que as plataformas se desenvolvem, os golpistas também se adaptam. Hoje, presenciamos desde fraudes com contas falsas até o uso indevido de dados pessoais”, explica Costa.
Além da segurança digital, as empresas também estão se preocupando com a segurança física dos entregadores. Em 2025, o iFood registrou 414 queixas relacionadas a seus prestadores de serviço, um aumento em relação às 331 do ano anterior. Desses registros, 42,7% estavam relacionados a discriminação, 27,6% a ameaças e 20,7% a agressões físicas. Em resposta, a empresa implementou uma política de combate à violência, oferecendo suporte jurídico e psicológico aos entregadores.
O app 99, que inclui o serviço 99Food, reporta que 99,9% das suas viagens são completadas sem incidentes. Para garantir a segurança, a empresa investiu mais de R$ 125 milhões em soluções de segurança entre 2024 e 2025, integrando mais de 50 recursos de proteção. Esses incluem alertas sobre áreas de risco, monitoramento em tempo real, compartilhamento de rotas e um botão de emergência que conecta o usuário diretamente à polícia. Essas iniciativas demonstram um compromisso em garantir não apenas a proteção dos dados, mas também a segurança física de todos os envolvidos na cadeia de entrega.

