Iniciativas para a Soberania Sanitária
Nesta terça-feira (24), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou medidas significativas no Rio de Janeiro (RJ) que buscam fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis). O destaque ficou para a entrega do primeiro lote de tacrolimo, um medicamento essencial para pacientes transplantados, com produção 100% nacional. Além disso, o governo destinou R$ 90 milhões para impulsionar tecnologias em saúde nas áreas de RNA mensageiro, biofármacos, química medicinal, dispositivos médicos e saúde digital. Essas ações visam garantir um Sistema Único de Saúde (SUS) mais sustentável e preparado para os desafios do futuro, assegurando que a população tenha acesso contínuo a tratamentos oferecidos pela rede pública.
Avanços em Biotecnologia
O Brasil, na vanguarda da biotecnologia, anunciou também um investimento de R$ 60 milhões na criação do primeiro Centro de Competência Embrapii voltado para Vacinas e Terapias com RNA mensageiro (mRNA). Este centro, coordenado pelo Centro de Tecnologias em Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (CT Vacinas-UFMG), será crucial para o desenvolvimento de soluções direcionadas ao SUS, aumentando a capacidade do país em promover avanços científicos. As vacinas de RNA mensageiro, como demonstrado durante a pandemia de Covid-19, têm a capacidade de ensinar o organismo a produzir proteínas que provocam uma resposta imunológica robusta e específica.
Fortalecendo a Capacitação Nacional
Padilha ressaltou que o novo Centro de Competência, juntamente com as iniciativas da Fiocruz e do Instituto Butantan, representa um marco na autonomia nacional para desenvolver vacinas. “Com a tecnologia de RNA mensageiro, que se mostrou fundamental durante a pandemia, o Brasil agora conta com três instituições capacitadas a desenvolver e produzir vacinas desse tipo, aumentando nossa autonomia e capacidade de resposta a futuras ameaças à saúde pública”, afirmou o ministro.
Investimentos Estratégicos no Setor da Saúde
Dos R$ 90 milhões investidos, os outros R$ 30 milhões serão alocados em seis novas unidades vinculadas à Embrapii. Essas unidades irão colaborar com a iniciativa privada em projetos nas áreas de química medicinal, biofármacos, saúde digital e dispositivos médicos, criando estratégias para levar os produtos ao mercado. O intuito é preparar o país para emergências sanitárias, diminuindo a vulnerabilidade nas cadeias de suprimentos globais. Os projetos visam fazer a transição de soluções do ambiente acadêmico para as aplicações práticas no SUS.
Produção Nacional de Tacrolimo
Outro avanço importante se deu com a entrega do primeiro lote do tacrolimo, um imunossupressor vital para transplantados de órgãos como fígado, rim e coração. Esta produção é fruto de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) entre a Fiocruz e a farmacêutica brasileira Libbs, focada na transferência de tecnologia para a fabricação do medicamento em solo nacional. “Essa produção não apenas garante o fornecimento pelo SUS, mas também proporciona ao Brasil maior segurança em momentos de crises internacionais, como pandemias e oscilações econômicas”, explicou Padilha.
Capacidade de Produção e Demanda
Com esta iniciativa, o Brasil agora controla todo o ciclo de produção do tacrolimo, desde o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) até o produto final. A tecnologia necessária para a produção foi completamente transferida para Farmanguinhos, abrangendo produção, controle de qualidade e embalagem. O primeiro lote, fabricado no laboratório público localizado no Rio de Janeiro, conta com mais de um milhão de unidades. Antes de serem disponibilizados ao SUS, os produtos passarão por ensaios de rotina e por uma nova etapa de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Impacto no Tratamento de Pacientes
Atualmente, cerca de 100 mil pacientes em todo o Brasil utilizam tacrolimo de forma contínua, seja na forma oral ou injetável. Para atender a essa demanda, uma área dedicada a este medicamento foi estabelecida no Complexo Tecnológico de Medicamentos de Farmanguinhos, contando com 267 m² e uma capacidade para produzir até 130 milhões de unidades anualmente. Nos últimos dez anos, o SUS recebeu mais de 500 milhões de unidades farmacêuticas desse imunossupressor, o que demonstra a importância dessa produção nacional.

