Realidade Preocupante para os Jovens
Uma nova pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destaca um cenário alarmante no que diz respeito à saúde mental de adolescentes em todo o Brasil. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgados em 25 de outubro de 2024, mostram que 30% dos estudantes com idades entre 13 e 17 anos relataram sentir-se tristes frequentemente, uma preocupação crescente que merece atenção.
O estudo, que entrevistou 118.099 adolescentes em 4.167 instituições de ensino, tanto públicas quanto privadas, revela que essa tristeza não é um sentimento isolado. Uma porcentagem semelhante de jovens admitiu já ter tido vontade de se machucar intencionalmente. Além disso, 42,9% dos estudantes disseram sentir-se irritados ou nervosos quase todos os dias. O relatório ainda apontou que 18,5% dos adolescentes considerados entrevistados pensam, em muitos casos, que “a vida não vale a pena ser vivida”.
Buscando Ajuda e Apoio
Frente a esse quadro alarmante, o IBGE faz um chamado à sociedade para que adolescentes e seus responsáveis busquem apoio. A conversa com familiares, amigos e educadores é essencial, assim como o acesso a serviços de saúde. Segundo o Ministério da Saúde, é fundamental não hesitar em procurar ajuda, especialmente em momentos de crise.
Dentre os serviços disponíveis estão:
- Centros de Atenção Psicossocial (Caps);
- Unidades Básicas de Saúde;
- UPA 24H e Pronto Socorro;
- Centro de Valorização da Vida – 188, um serviço gratuito de apoio emocional disponível 24 horas.
O CVV oferece suporte emocional e prevenção ao suicídio, garantindo atendimento sigiloso e gratuito, essencial para aqueles que se sentem sozinhos e desamparados.
Desamparo e Acesso a Suporte
Embora os números sejam preocupantes, um dado ainda mais alarmante está na falta de suporte psicológico nas escolas. Menos da metade dos alunos consultados afirmaram frequentar instituições que disponibilizavam algum tipo de assistência psicológica, sendo que 58,2% desse suporte está nas escolas privadas, enquanto apenas 45,8% nas públicas. O acesso a profissionais de saúde mental é raro, com apenas 34,1% dos estudantes tendo essa oportunidade em suas escolas.
Outro ponto tocante da pesquisa diz respeito à relação dos jovens com suas famílias e comunidades. Cerca de 26,1% dos alunos se sentem, constantemente, como se “ninguém se preocupa” com eles. Além disso, mais de um terço dos jovens acredita que seus pais ou responsáveis não entendem suas preocupações, e 20% relataram ter sido agredidos fisicamente por adultos em casa no último ano.
Diferenças de Gênero em Saúde Mental
A pesquisa revelou que as meninas enfrentam desafios ainda maiores em relação à saúde mental. Em todos os indicadores analisados, as meninas apresentaram resultados mais alarmantes que os meninos. Por exemplo, 41% delas se sentem tristes constantemente, em comparação com 16,7% dos meninos. Além disso, 43,4% das meninas já tiveram vontade de se machucar, contra 20,5% dos meninos, e 58,1% afirmam sentir-se irritadas ou nervosas por qualquer motivo, enquanto essa taxa é de 27,6% entre os meninos.
A autoagressão também é um tema preocupante, com o IBGE estimando que cerca de 100 mil estudantes tenham se ferido deliberadamente nos últimos 12 meses. Entre esses jovens, 73% vivem constantemente tristes, e 67,6% sentem irritação frequente. As meninas são mais propensas a lesões autoprovocadas, com 6,8% delas reportando esse comportamento em comparação a 3% dos meninos.
A Questão da Imagem Corporal
Outro dado relevante é a insatisfação com a imagem corporal, que caiu para 58% entre todos os estudantes desde a última pesquisa em 2019. A insatisfação é mais pronunciada entre as meninas, onde mais de um terço se considera insatisfeita com sua aparência. Além disso, 21% das alunas se classificam como gordas ou muito gordas, e 31% estão tentando perder peso, mostrando a pressão estética que afeta principalmente as jovens.
As conclusões da pesquisa destacam a urgência na criação de políticas públicas que considerem as particularidades de gênero, com o objetivo de promover a saúde mental e o bem-estar dos jovens no Brasil.

