Eduardo Paes e a Disputa Eleitoral no Estado
No dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) decide sobre a possibilidade de eleições diretas para o cargo de governador-tampão do Rio de Janeiro, Altineu Côrtes, presidente do Partido Liberal (PL) fluminense, provocou polêmica ao afirmar que o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) busca promover o que chamou de “primeiro round” das eleições presidenciais no estado, envolvendo as figuras de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, também do PL-RJ.
De acordo com Côrtes, a ideia de uma eleição direta fora do tempo regular levanta preocupações entre os aliados de Paes. Eles temem que isso proporcione uma janela de oportunidade para Flávio Bolsonaro percorrer o estado, consolidando apoio para sua candidatura à Presidência da República. Essas movimentações políticas têm gerado um clima de incerteza e tensão no cenário eleitoral local.
Além disso, Côrtes criticou a nomeação do delegado Roberto Lisandro Leão para a Secretaria de Governo pelo desembargador Ricardo Couto, atual governador interino do estado. Embora tenha elogiado Couto como “uma pessoa extremamente correta”, o presidente do PL-RJ questionou a conexão entre a nova gestão e Eduardo Paes. “Me preocupa muito que a primeira nomeação do desembargador foi para uma pessoa próxima a Eduardo Paes. Existe uma ligação entre a prefeitura do Rio e o governador interino? Estão fazendo política numa interinidade?” indagou.
Côrtes também expressou insatisfação com a intervenção do STF na linha sucessória do estado, atribuindo essa interferência ao movimento do PSD, partido de Paes. “A ação do Eduardo Paes, querendo que o Supremo interfira na linha sucessória, choca muito a política e é uma agressão à política. Isso acaba ajudando a promover o nome do Douglas, que ainda é desconhecido”, comentou, referindo-se a Douglas, uma figura ainda pouco conhecida na política estadual, mas que pode ganhar visibilidade em meio a essa confusão.
No último dia 27 de março, o ministro Cristiano Zanin decidiu suspender as eleições indiretas para a escolha do novo governador do Rio de Janeiro. Essa decisão foi tomada para manter o desembargador à frente do governo até que o Supremo Tribunal analise a questão. O desembargador assumiu o governo após a renúncia de Cláudio Castro (PL), que deixou o cargo para concorrer ao Senado e evitar a cassação por parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apesar da estratégia, Castro foi condenado por abuso de poder político nas eleições de 2022 e permanece inelegível até 2030.

