Uma Reflexão Sensível sobre Corpo e Natureza
Na exposição “Horizontes”, o artista David Catá transforma a interação entre corpo e espaço em uma experiência única que toca questões de memória e identidade. Ao deslocar a paisagem para a pele, Catá propõe uma inversão notável: em vez de observar a natureza à distância, ele a incorpora, inscrevendo suas lembranças na própria carne. As imagens capturadas em fotografia e vídeo vão além da mera representação; elas evidenciam a fusão entre o sujeito e o ambiente, criando uma continuidade palpável que conecta o indivíduo ao mundo ao seu redor.
Mais do que uma simples coleção de obras, “Horizontes” se apresenta como um convite à reflexão sensorial. Aqui, o corpo não é apenas um suporte; ele se torna um espaço de inscrição de memórias e de identidades, onde afeto, tempo e pertencimento se entrelaçam de maneira profunda. Catá nos instiga a pensar sobre como o nosso envolvimento com o ambiente molda quem somos.
A seleção de obras de Catá destaca uma visão que busca na essência da natureza uma linguagem comum, universal e intrinsecamente humana. Nos registros fotográficos, ele utiliza sua palma da mão para criar um diálogo visual entre seu corpo e a paisagem, o que se articula de forma muito íntima com o tema abordado por meio de linhas de bordado. Juntamente com essa série, outras obras como “Reminiscencias”, “Abismos” e “La vida tras la ventana” serão exibidas, totalizando cerca de 33 registros vibrantes. Em cada uma delas, a paisagem não é meramente observada; é tocada, percorrida e vivida.
No cenário do Rio de Janeiro, onde a natureza se revela como uma presença intensa e vibrante, a mostra “Horizontes” estabelece um diálogo profundo com o meio ambiente. A cidade, com suas belezas naturais, se torna um pano de fundo que potencializa a mensagem de Catá, que busca uma conexão direta entre a arte e as emoções provocadas pela vivência ao ar livre.
Além de seu caráter artístico, a exposição também evoca questões contemporâneas sobre identidade e pertencimento, fazendo-nos refletir sobre como somos moldados não apenas por nossas memórias pessoais, mas também pelas paisagens que habitamos. O resultado é uma experiência que transcende a arte e nos leva a uma jornada de autodescoberta e redescoberta do espaço que nos cerca.

