Retomada do Bloco Escola: Uma Nova Era de Experimentação Artística
Localizado entre o concreto modernista e a natureza exuberante do Parque do Flamengo, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) volta a dar vida ao seu icônico Bloco Escola. Após um período de inatividade, este espaço, que sempre foi mais uma ideia do que apenas um prédio, reabre suas portas com uma proposta renovada de formação artística. A reabertura não é apenas física, mas também simbólica, reafirmando o compromisso do MAM em ser um agente de pensamento e sensibilidade na arte brasileira.
Desde sua fundação em 1948, o MAM tem buscado educar e formar artistas. A diretora-executiva do museu, Yole Mendonça, destaca que o vínculo com a educação é essencial para a história do MAM e reforça a importância do Bloco Escola neste contexto: “O Bloco Escola reabre suas portas em um momento especial, quase 80 anos após sua fundação, reafirmando nosso compromisso com a formação e a criatividade”.
O Bloco Escola nasceu sob o princípio de que a arte é um processo dinâmico. No ano de sua inauguração, em 1958, a iniciativa já se destacava ao sediar seminários da Unesco, reforçando sua função educativa e seu papel na construção de um país por meio da arte. Yole enfatiza ainda que a nova programação está alinhada com essa visão, buscando construir diálogos com artistas, educadores e pensadores.
Olhar para o passado é fundamental para entender a importância da retomada do Bloco Escola. Ao longo dos anos, o espaço se tornou um laboratório de ideias que redefiniu o conceito de arte no Brasil, como recorda a artista Anna Bella Geiger. Em tempos de repressão, o Bloco Escola foi um território de liberdade e experimentação, onde artistas como ela e Frederico Morais desafiaram as normas da arte tradicional.
“Nos anos 70, nós criamos unidades experimentais, onde os alunos podiam explorar novas formas de expressão artística. Esse espaço foi crucial para a formação de nomes que hoje são referências na arte brasileira”, relembra Anna Bella, sublinhando a produção de instalações marcantes e o impacto que essas experiências tiveram na cena artística.
Atualmente, a nova programação do Bloco Escola conta com a participação de renomados artistas como Beatriz Milhazes, Sallisa Rosa e Marcos Bonisson, que irão conduzir aulas e práticas que misturam criação e reflexão. Beatriz, por exemplo, expressa sua alegria com a reabertura: “O MAM está readquirindo sua posição única na cultura carioca, e o Bloco Escola é fundamental nessa trajetória de formação artística”.
A nova fase do Bloco Escola abrange uma variedade de cursos, incluindo temas como curadoria, escrita, produção cultural e práticas experimentais. Os cursos são projetados para atender a diferentes públicos, com um foco especial na diversidade e inclusão, levando em consideração fatores como identidade de gênero e condição socioeconômica.
A programação inclui atividades para educadores, como uma série de encontros liderados por Beatriz Milhazes, que busca explorar a relação entre arte e educação através de suas práticas. Além disso, haverá cursos práticos voltados para professores da educação básica, que abordarão metodologias criativas e sensoriais voltadas para o trabalho com crianças e jovens.
A nova estrutura do Bloco Escola promete ser flexível e inovadora, refletindo as mudanças no ensino artístico contemporâneo. O diretor artístico do MAM, Pablo Lafuente, enfatiza a importância de resgatar a trajetória do Bloco Escola, que tem sido crucial na interseção entre arte e educação no Brasil. “Estamos prontos para promover novas formas de diálogo e criação artística, compartilhando experiências e reflexões”, afirma Pablo.
A reabertura do Bloco Escola é um convite à exploração, à criação e ao aprendizado, reafirmando a importância da arte como um elemento transformador na sociedade. O espaço se mostra como um verdadeiro celeiro de ideias e experimentações, onde a educação artística é acessível e inclusiva, promovendo um ambiente onde a arte pode ser vivida e compreendida de maneiras diversificadas.

