Alianças Religiosas em Foco
As estratégias eleitorais para 2024 estão em pleno andamento, e, nesse cenário, Lula e Flávio Bolsonaro têm buscado se aproximar de segmentos religiosos para ampliar seu apoio popular. Enquanto aliados de Lula apostam em pautas trabalhistas e sociais para diminuir a resistência entre os evangélicos, os interlocutores de Flávio trabalham para fortalecer sua presença entre os católicos.
Na última pesquisa realizada pela Quaest, Lula desponta como favorito entre os eleitores católicos, registrando 43% das intenções de voto em um dos cenários de primeiro turno, em contraste com os 28% de Flávio Bolsonaro. No entanto, a situação inverte-se no eleitorado evangélico, onde Flávio lidera com 43%, enquanto Lula apresenta apenas 23% das intenções.
No último fim de semana, Flávio Bolsonaro marcou presença em um culto no Rio de Janeiro, ao lado do ex-governador Cláudio Castro (PL) e do pré-candidato ao governo estadual, Douglas Ruas (PL). O evento, comandado pelo pastor Silas Malafaia, é um exemplo do esforço do senador em fortalecer suas relações com líderes evangélicos alinhados ao bolsonarismo.
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Integrantes do grupo que coordena a pré-campanha de Flávio afirmam que o foco da agenda foi consolidar alianças com lideranças evangélicas no Rio e aumentar a visibilidade de Douglas Ruas. Além disso, a participação do senador em eventos religiosos deve se tornar uma constante, especialmente após seu recente batismo.
Apesar dos avanços, aliados de Flávio reconhecem que o maior desafio é conquistar a confiança dos católicos. Nesse sentido, a equipe do senador já discute a criação de agendas voltadas para esse público.
Uma das ideias em análise é a escolha da deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) como vice na chapa presidencial. A parlamentar tem forte ligação com Frei Gilson, um influente líder católico no Brasil, além de manter boas relações com bispos do Nordeste, o que poderia facilitar a comunicação com esse eleitorado.
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Recursos e Estratégias do Governo
Por outro lado, os aliados de Lula indicam que o presidente tem hesitado em fazer acenos mais diretos ao eleitorado evangélico. A estratégia da equipe de Lula é dialogar por meio de pautas que impactem diretamente o cotidiano das pessoas, como a regulamentação do trabalho de aplicativos e propostas voltadas para a classe trabalhadora.
Uma das propostas em discussão é a extinção da escala 6×1, que, segundo o ministro da Secretaria Geral, Guilherme Boulos, poderia proporcionar mais tempo para atividades religiosas e convívio familiar. Essa mudança é vista como uma oportunidade de aproximação com os evangélicos.
Além disso, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) também fazia parte da estratégia de identificação do governo com os segmentos evangélicos. No entanto, após sua rejeição pelo Senado, foi necessário recalibrar o discurso da administração.
Nos últimos meses, Lula intensificou seus esforços para estabelecer um diálogo mais próximo com lideranças evangélicas, promovendo encontros com pastores no Palácio do Planalto, sempre acompanhado por Jorge Messias e pelo deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ).
Em entrevista, Otoni de Paula revelou que deixou de atuar como interlocutor entre o governo e os líderes evangélicos, uma vez que muitos grupos religiosos com os quais ele dialogava continuam reticentes em relação às pautas da esquerda. O deputado agora apoia a pré-candidatura presidencial de Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás.

