Alta expressiva nos aluguéis do Rio de Janeiro em 2025
O mercado imobiliário do Rio de Janeiro registrou um aumento significativo de 12,11% nos valores dos aluguéis em 2025, conforme o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Esse crescimento supera em 7,85% a inflação oficial, evidenciando uma valorização real dos aluguéis na cidade. A tendência de alta segue também em 2026, influenciando diretamente os contratos de locação e o comportamento dos proprietários.
Imóveis pequenos e médios puxam alta nos preços
Os imóveis de tamanho pequeno e médio foram os que apresentaram a maior alta no preço dos aluguéis. Esse movimento é explicado pela maior procura e pela facilidade e menor custo para realizar reformas nesses imóveis. A renovação dos contratos tem sido uma oportunidade para os proprietários revisarem os valores e ajustá-los acima do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que em 2025 apresentou deflação de -1,05%, o que normalmente indicaria redução nos preços.
Um exemplo prático é o caso da analista de sistemas L.R., que possui um apartamento de 50 m² no Humaitá, Zona Sul do Rio. O imóvel estava alugado para o mesmo inquilino há um ano, com o aluguel congelado nesse período. Com o término do contrato em maio, após pesquisa de mercado e novas reformas no apartamento, L.R. elevou o aluguel de R$ 3.300 para R$ 4 mil, um reajuste de 21,21%.
Mercado se adapta com reformas e alta rotatividade
Para o diretor comercial da imobiliária Sérgio Castro, Cláudio André Castro, o aumento nos valores está relacionado ao volume expressivo de reformas, vendas e lançamentos de apartamentos entre 30 m² e 80 m². Ele ressalta que a variação do preço pode chegar a até 15% em muitos casos, sobretudo no momento da renovação dos contratos, quando há tentativa de reajuste acima da inflação.
Contudo, André destaca que a prioridade dos proprietários ainda é manter inquilinos de longo prazo que cuidam dos imóveis e pagam as contas em dia, em vez de buscar novos locatários dispostos a pagar valores mais altos. A imobiliária, que administra cerca de 3,5 mil imóveis, observa que a alta rotatividade tem levado a reajustes frequentes nos contratos.
Imóveis maiores e antigos sofrem menos impacto
Por outro lado, apartamentos maiores e mais antigos não acompanharam essa alta expressiva. O custo e o tempo necessários para realizar obras nesses imóveis desestimulam a procura, o que acaba limitando os aumentos nos preços dos aluguéis. Muitos inquilinos evitam esses apartamentos justamente pela perspectiva de maiores gastos e transtornos com reformas.
Desaceleração em 2026 e influência da inflação
Segundo o economista do FGV Ibre, Matheus Dias, a alta acumulada pelo Ivar desde janeiro de 2026 é de 1,97%, bem menor que os 9,07% registrados no mesmo período do ano anterior. Essa desaceleração está atrelada à redução dos índices de inflação, que influenciam diretamente os reajustes nos contratos de aluguel.
Dias atribui a disparada dos preços em 2025 à crescente demanda por apartamentos menores, especialmente em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde a densidade imobiliária é alta e o espaço para novas construções é limitado nas áreas mais valorizadas. A preferência por residências modernas e compactas tem impulsionado a valorização desses imóveis.

