Funai reforça importância dos povos indígenas na proteção ambiental
No dia mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, no Rio de Janeiro (RJ), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) destacou a relevância dos povos indígenas e da demarcação territorial para o enfrentamento das mudanças climáticas. A participação ocorreu durante o Rio Nature & Climate Week (RNCW), evento internacional que aconteceu simultaneamente ao Global Citizen e trouxe à tona debates sobre a ligação entre proteção dos biomas brasileiros e os direitos territoriais indígenas.
Avanços na política de proteção dos territórios indígenas
Durante a mesa intitulada “Avanços da Política de Proteção dos Territórios Indígenas no Brasil”, a Funai esteve representada pela presidenta Lucia Alberta Baré, acompanhada do ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, do secretário executivo Marcos Kaingang e da mediadora Lara Taroco, secretária executiva adjunta do Ministério dos Povos Indígenas. Lucia Baré ressaltou a contribuição dos povos indígenas para a preservação ambiental em todos os biomas brasileiros, afirmando que a proteção territorial é fundamental para a conservação das áreas naturais.
A presidenta lembrou das recentes entregas realizadas pela Funai: 20 homologações de terras indígenas, 21 portarias declaratórias, 18 aprovações de Relatórios Circunstanciados de Declaração e Identificação (Rcid), 31 Reservas Indígenas criadas e mais de 150 Grupos de Trabalho atuando em campo para garantir o direito à demarcação territorial. Ela destacou que a demarcação e gestão desses territórios pelos povos indígenas são essenciais para manter o equilíbrio ecológico.
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Demarcação territorial como ferramenta contra a crise climática
Marcos Prado, diretor de Demarcação Territorial da Funai, reforçou que as demarcações são uma estratégia vital para enfrentar os desafios climáticos. Segundo ele, a gestão atual conseguiu avançar nos processos de demarcação graças a parcerias que ampliam a capacidade institucional da Funai. Esse esforço conjunto visa garantir a proteção das terras indígenas, reconhecendo seu papel na conservação ambiental.
Juliana Tupinambá, diretora do Museu Nacional dos Povos Indígenas (MNPI), ressaltou que a resposta para a crise climática está intimamente ligada à relação dos povos indígenas com seus territórios. Para ela, essa conexão não é comercial, mas sim baseada na ancestralidade, memória e história das comunidades indígenas, mostrando que falar de território e clima é também falar de cultura.
Transição para a autodeterminação indígena
O ministro Eloy Terena destacou que a atual gestão marca uma transição importante, saindo de um modelo de tutela para um de efetiva autodeterminação dos povos indígenas. Ele enfatizou a legitimidade da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) ao acessar o Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709, um marco histórico que ainda enfrenta resistências ideológicas, mas representa avanço na defesa dos direitos indígenas.
Rio Nature & Climate Week reúne debate internacional sobre sustentabilidade
A primeira edição do Rio Nature & Climate Week 2026 ocorreu entre 1º e 6 de junho, reunindo especialistas e representantes de diversos países para discutir mudanças climáticas, biodiversidade e desenvolvimento sustentável. O evento no Rio de Janeiro reforçou a importância de integrar políticas de proteção ambiental com os direitos dos povos indígenas, evidenciando o papel dessas comunidades na conservação dos biomas do Brasil.

