Crescimento dos Avistamentos de Baleias Jubarte no Litoral do Rio
O litoral do Rio de Janeiro tem observado um aumento significativo nos avistamentos de baleias jubarte, fenômeno que tem atraído um número crescente de turistas para passeios de observação. Essas gigantes marinhas, que seguem seu percurso migratório até o Banco de Abrolhos, na Bahia — importante área de reprodução da espécie —, necessitam de tranquilidade para que seu trajeto não seja perturbado. Apesar de seu tamanho impressionante, as jubartes são sensíveis a barulhos e aproximações inadequadas, incluindo as feitas por mergulhadores e embarcações.
O município do Rio destaca-se como um dos pontos privilegiados para o avistamento, especialmente nas proximidades das Ilhas Cagarras, conhecidas por seu ecossistema marinho rico e diversificado. Com o aumento da procura por esses passeios, a atividade vem ganhando espaço nas redes sociais e despertando interesse turístico, o que reforça a necessidade de orientações específicas para garantir a segurança e a preservação desses animais.
Guia de Boas Práticas para Observação Sustentável
Para regulamentar e orientar essa crescente demanda, o Visit Rio lançou um guia de boas práticas em parceria com as empresas Let’s Go Sea e Saveiros Tour. O material, baseado em normas do Ibama e protocolos do Instituto Baleia Jubarte, está disponível em formato digital e tem como objetivo auxiliar turistas e operadores na condução responsável dos passeios.
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Entre as recomendações mais importantes estão a manutenção de uma distância mínima de 100 metros das baleias, a não interceptação da rota dos animais e a evitação de manobras que possam alterar seu comportamento natural. O guia também destaca a necessidade de respeitar as regras de navegação e priorizar a observação sem interferência direta na movimentação dos cetáceos.
Segurança e Conservação em Primeiro Lugar
Além da proteção dos animais, o guia enfatiza os cuidados para a segurança dos passageiros e das embarcações durante os passeios em mar aberto. Luiz Nogueira, proprietário da Let’s Go Sea, ressalta que esses passeios não são atividades recreativas comuns, mas experiências que exigem preparo e atenção redobrada. Ele explica que, mesmo um contato leve pode ser perigoso, pois as embarcações possuem hélices e lemes, enquanto as baleias podem atingir até 40 toneladas e 16 metros de comprimento.
O trajeto migratório das jubartes é uma das maiores do planeta, com deslocamentos entre a Antártida e a costa brasileira. O percurso inclui paradas no litoral fluminense antes de chegar ao arquipélago de Abrolhos, na Bahia, onde ocorre a reprodução da espécie. Nos últimos anos, os registros de baleias nas Ilhas Cagarras aumentaram, e em algumas temporadas elas chegaram a circular entre as ilhas do arquipélago.
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Turismo Ecológico e Educação Ambiental
Além das jubartes, os passeios frequentemente registram a presença de golfinhos, botos e até pinguins, ampliando a diversidade de espécies observadas pelos turistas. As saídas, que duram entre cinco e seis horas, acontecem em mar aberto, preferencialmente pela manhã, quando as condições do oceano são mais estáveis.
Fernanda Gularte, bióloga da Saveiros Tour, destaca o potencial do turismo ecológico para promover a conscientização ambiental. Para ela, a atividade fortalece a conexão entre as pessoas e o meio ambiente, reforçando a importância da preservação dos oceanos. “Preservamos aquilo que conhecemos e com o que criamos uma ligação emocional”, afirma.
Com a temporada de baleias jubarte em evidência no Rio de Janeiro, a adoção de práticas sustentáveis se torna fundamental para garantir que esse espetáculo natural continue a encantar moradores e visitantes, sem comprometer o bem-estar dos animais e a integridade do ecossistema marinho.

