Fitch atribui nota máxima ao crédito do Rio de Janeiro
A agência Fitch Ratings elevou a nota de crédito nacional de longo prazo do município do Rio de Janeiro para “AAA”, o grau mais alto de investimento. Antes, a classificação era “AA+”, e a perspectiva permanece estável. Esse avanço sinaliza confiança na capacidade financeira da cidade e na gestão das suas contas públicas.
Melhora na gestão fiscal e impacto nas finanças locais
Segundo a Fitch, o Rio tem apresentado melhorias consistentes na gestão fiscal nos últimos anos, o que resultou em margens operacionais sólidas e indicadores de liquidez robustos. A agência prevê que a dívida municipal será reduzida gradualmente, com pagamentos de amortizações provavelmente superiores aos novos empréstimos tomados.
Além disso, o Perfil de Crédito Individual (PCI), que avalia a saúde financeira sem considerar apoios externos, subiu de “BB” para “BB+”, classificando o município com risco “médio a baixo” e perspectiva estável.
Comparação com São Paulo e relevância para investidores
A Fitch destaca que o Rio de Janeiro tem perfil de risco semelhante ao do Estado de São Paulo, ambos classificados como “médio a baixo”, com perfil financeiro “a”. No entanto, o índice de payback do Rio é menos pressionado e está no nível superior da categoria “AA”, justificando seu PCI superior ao de São Paulo.
A nota de crédito atua como um termômetro para as contas públicas, analisando a capacidade do município de honrar seus compromissos financeiros em comparação com outros entes no Brasil. Essa classificação é fundamental para atrair investidores estrangeiros.
Notas de curto prazo e perfil de risco do município
Os ratings de inadimplência em moeda estrangeira e local foram mantidos em “BB” no longo prazo e “B” no curto prazo, ambos com perspectiva estável. Embora a avaliação de curto prazo indique alta capacidade de pagamento, ressalta maior vulnerabilidade a mudanças econômicas.
A classificação nacional de curto prazo é F1+(bra), o grau mais alto na escala nacional, refletindo a capacidade do município de pagar dívidas e compromissos em até 12 meses. Vale lembrar que as notas de governos locais não podem superar o rating soberano do Brasil, atualmente “BB” com perspectiva estável.
Autonomia fiscal e composição das receitas
O perfil de risco “médio a baixo” considera a autonomia fiscal moderada do Rio e sua baixa dependência das transferências federais. O município também enfrenta exposição a receitas voláteis, como royalties de petróleo e gás.
Em 2025, as receitas operacionais do Rio foram majoritariamente tributárias, representando 42,3% do total. Destacam-se o ISS e o IPTU, que juntos responderam por 77% da arrecadação. O ISS, vinculado à atividade econômica, tem crescido acima da inflação nos últimos anos, enquanto o IPTU mantém estabilidade por incidir sobre propriedades urbanas e ser pago anualmente.

