Renan Santos e a defesa da bomba nuclear brasileira
Na série de sabatinas com presidenciáveis promovidas pela TV Globo na noite de 26 de agosto, Renan Santos, candidato pelo partido Missão, apresentou sua visão sobre a política de defesa nacional. Durante a entrevista conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli, ele defendeu o desenvolvimento de uma bomba nuclear como forma de posicionar o Brasil entre as principais potências mundiais e garantir sua soberania.
Apesar de reconhecer que o país não dispõe das condições técnicas para desenvolver armas nucleares nos próximos dez anos, Renan enfatizou a importância de iniciar pesquisas para recuperar a soberania nacional e poder dialogar em igualdade com outras nações. “O Brasil tem que iniciar o processo de recuperação de soberania, de pesquisa, para sentar na mesa de discutir com o mundo”, afirmou.
Constituição, PEC e desafios legais
Durante a sabatina, a bancada da Globo questionou o candidato sobre a restrição constitucional que permite armas nucleares apenas para fins pacíficos — um ponto que seu aliado, o deputado federal Kim Kataguiri, tentou alterar por meio de uma Proposta de Emenda à Consitutição (PEC). Renan reconheceu que o tema pode causar desconforto, mas reforçou que a força política para proteger o território e as riquezas nacionais depende também do poder bélico.
Ele argumenta que não precisa de estudos científicos para compreender que as nações mais respeitadas no cenário internacional dispõem de armas nucleares. “A realidade é muito clara: as nações mais poderosas dispõem de armas nucleares e elas se fazem respeitadas por isso”, destacou.
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Fonte: reportersorocaba.com.br
Plano para combater o crime organizado em um ano
Renan Santos também falou sobre sua proposta para enfrentar o crime organizado no Brasil. Ele prometeu recuperar os territórios dominados por facções criminosas e acabar com o crime organizado em um ano, um desafio que já motivou intervenções federais, como a do Rio de Janeiro em 2018, que durou cerca de dez meses e custou mais de R$ 1 bilhão, mas não conseguiu deter a expansão das facções.
O candidato defende a declaração de uma “guerra contra o crime organizado”, acompanhada de mudanças legislativas nas leis de execuções penais e no código de processo penal, com aumento das penas para crimes violentos cometidos com armas. Além disso, propõe operações e ocupações específicas em territórios dominados por essas organizações.
Para dar suporte a essa estratégia, Renan cita a necessidade de investimento de R$ 6 bilhões para construir dez novos presídios, cada um com capacidade para 30 a 40 mil vagas. “Esse processo precisa se iniciar desde já”, afirmou.
Garantindo o devido processo legal
Questionado sobre como evitar arbitrariedades durante essa guerra contra o crime, Renan destacou a importância do devido processo legal. Ele citou casos recentes de investigações que resultaram na prisão de pessoas ligadas ao crime organizado, como a influenciadora e advogada Deolane, apontada como associada ao PCC.
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Fonte: belembelem.com.br
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Fonte: curitibainforma.com.br
Referências à política de segurança de El Salvador
Outro tema abordado foi a inspiração na política de segurança do presidente Nayib Bukele, de El Salvador. Renan tem citado o país como exemplo durante a campanha. Ao ser questionado sobre denúncias envolvendo torturas e desaparecimentos, ele negou conhecimento desses fatos e classificou as acusações como “clichês” da mídia internacional. O jornalista César Tralli, contudo, ressaltou que essas denúncias vêm de apurações jornalísticas e entidades fiscalizadoras.
Quando confrontado sobre o tom duro adotado por Bukele, Renan afirmou que a violência já é uma realidade no Brasil, principalmente contra inocentes, e que a situação atual é insustentável. “Os brasileiros morrem como se fossem bichos. Ninguém liga, ninguém sabe o nome. A maior parte são meninos, em geral, negros, morrem nas favelas e nas cidades mais pobres”, disse o candidato.
Contexto das sabatinas presidenciais
Essa foi a terceira sabatina da série promovida pela TV Globo com os candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de intenções de voto, divulgada em 14 de agosto. Romeu Zema (Novo) abriu as entrevistas em 24 de agosto, seguido por Ronaldo Caiado (PSD) no dia 25, e agora Renan Santos (Missão) no dia 26. A agenda segue com entrevistas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante) até o dia 29 de agosto.
Cada entrevista tem duração de 40 minutos, dividida em dois blocos, além de um minuto para considerações finais. O debate “Momento da Decisão” reunirá os principais presidenciáveis no dia 14 de setembro, às 22h, em evento promovido pelo Terra e outros 10 veículos.

