Salvino Oliveira: voz das favelas do Rio na política federal
Salvino Oliveira, jovem vereador nascido e criado na Cidade de Deus, na Zona Sudoeste do Rio, disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSD com o número 5525. Em Brasília, pretende ampliar sua atuação focada em duas frentes principais: melhorar as condições de vida dos moradores das favelas e expandir o ensino técnico para todas as escolas de ensino médio do país.
Projetos voltados para a infraestrutura e qualidade de vida nas favelas
Apesar de atuar no Legislativo municipal há apenas um ano e meio, Salvino já apresentou nove projetos de lei dedicados à melhoria da infraestrutura e das condições de vida dos cerca de 1,3 milhão de moradores das 813 favelas do Rio — que correspondem a 21% da população da cidade. Esses territórios enfrentam desafios estruturais que vão além da segurança pública, como carência de infraestrutura básica, problemas habitacionais, interrupções no abastecimento de água e energia, além da dificuldade de acesso a serviços essenciais e a ausência de políticas públicas específicas.
Quando considerada a totalidade do estado, são 1.724 comunidades com cerca de 2,1 milhões de habitantes, o que representa 13,3% da população fluminense. A transformação do Rio depende diretamente de políticas comprometidas com as favelas e periferias.
A importância do ensino técnico para jovens das periferias
Outro ponto central na pauta de Salvino é a educação profissional integrada ao ensino médio. Ele defende que os estudantes saiam da escola com uma profissão, ampliando suas chances de inserção no mercado de trabalho. Atualmente, o Brasil tem cerca de 6,2 milhões de jovens entre 14 e 24 anos que nem estudam nem trabalham, o equivalente a quase 19% dessa faixa etária.
Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que, entre os países membros, 44% dos estudantes cursam o ensino médio associado à formação técnica. No Brasil, esse percentual é de 21,5%, incluindo as modalidades integrada e concomitante registradas no Censo Escolar, sem alcançar a meta prevista no Plano Nacional de Educação.
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Legislação focada em urbanização e direitos nas favelas
Entre as propostas de Salvino, o PL 2134/2026 institui a Política Municipal de Urbanização das Favelas, priorizando a melhoria das condições de moradia e infraestrutura, com exceção das áreas de risco, sem recorrer à remoção das comunidades. O PL 1991/2026 cria o Plano Municipal de Regularização Fundiária de Interesse Social, garantindo a titularidade da propriedade para as famílias que vivem nas favelas.
Além disso, o PL 1788/2026 prevê um Plano Municipal de Arborização das Favelas, e outras propostas visam garantir ações regulares de desratização e controle de vetores, como mosquitos transmissores de doenças. Projetos voltados para o acesso à água, combate à imposição de serviços por grupos criminosos, fortalecimento de empreendimentos periféricos e democratização do acesso à cultura também fazem parte do conjunto de iniciativas, todas com o objetivo de reduzir a desigualdade entre favela e asfalto.
Trajetória de vida e compromisso com as periferias
Salvino construiu sua trajetória na política a partir da experiência vivida nas favelas. Ex-aluno do Colégio Pedro II, graduado em Gestão Pública pela UFRJ e mestrando em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas, ele concilia educação, trabalho e atuação social desde a adolescência.
Aos 22 anos, assumiu como o secretário municipal mais jovem da história do Rio, comandando a Secretaria Municipal da Juventude e coordenando políticas públicas em parceria com a Unesco que impactaram 500 mil jovens. Em 2025, a ONU reconheceu sua atuação na área da educação ao escolhê-lo como um dos cinco Jovens Ativistas Globais.
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Representatividade e desafios nas favelas do Rio
O Censo de 2022 do IBGE revelou que 16,4 milhões de brasileiros vivem em mais de 12 mil comunidades urbanas, representando 8,1% da população nacional. No estado do Rio, mais de dois milhões residem em favelas, tornando fundamental a representação dessas comunidades no Congresso Nacional.
Salvino defende que sua candidatura vai além de uma busca pessoal por mandato: trata-se de representar interesses históricos de uma parcela expressiva da população fluminense que enfrenta desigualdades no acesso a direitos, infraestrutura e serviços públicos.
Com foco na ampliação de políticas públicas específicas, ele pretende promover a urbanização, modernização e conectividade das favelas, além de facilitar o acesso ao ensino técnico para jovens entre 15 e 29 anos — cerca de 600 mil no Rio que atualmente não estudam nem trabalham.
O desafio está colocado. O próximo passo será a conquista de uma cadeira em Brasília para levar essa pauta adiante e transformar as favelas em espaços dignos e integrados à cidade.

