Começam as obras de restauração do Centro Cultural do Cordão da Bola Preta
A Prefeitura do Rio iniciou, em 10 de setembro, a reconstrução do Centro Cultural do Cordão da Bola Preta, local que abriga o bloco carnavalesco mais antigo da cidade. As intervenções, coordenadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura, ocorrem em imóveis no Centro do Rio, com investimento de R$ 8,3 milhões. A previsão para conclusão é o primeiro semestre de 2027.
Wanderson Santos, secretário de Infraestrutura, destacou que essa ação complementa o esforço da prefeitura no Carnaval, após o início das obras na quadra da Unidos da Tijuca. “Vamos recuperar e restaurar historicamente a sede do Bola Preta, com prazo aproximado de um ano para entregar o espaço revitalizado, mantendo viva essa cultura essencial para a cidade”, afirmou.
Preservação cultural e modernização para o futuro
Reconhecido como bem cultural imaterial do Rio desde 2007, o Cordão da Bola Preta tem sua sede localizada nos imóveis nº 90 da Rua do Lavradio e nº 1 da Rua da Relação, dentro da Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC) da Cruz Vermelha. Essa área estabelece normas para preservar o ambiente e paisagem das quadras entre Rua da Carioca, Avenida República do Paraguai, Rua Sete de Setembro e Rua Uruguaiana.
Com a reforma, o Centro Cultural será modernizado para ampliar seu uso durante o ano todo. Estão previstas atividades culturais fixas relacionadas ao samba, Carnaval e à memória da cultura popular carioca, além da geração de empregos e renda.
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O secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, ressaltou a importância do espaço para o legado do Bola Preta, considerado o “pai de todos os blocos”. Segundo ele, a sede é fundamental não apenas para o Carnaval de rua, mas também para a memória cultural e o patrimônio material do Rio, integrando um corredor de revitalização urbana que abrange bairros como Lapa e Avenida Chile.
Detalhes do projeto arquitetônico e estrutura
O projeto prevê a reconstrução e modernização das estruturas, respeitando as características originais das fachadas e esquadrias. Os ambientes internos serão requalificados, recebendo novas instalações e melhorias na infraestrutura.
No térreo, será instalado um bistrô, cozinha, hall de entrada, recepção, espaço para shows e área de estar. O mezanino contará com camarote, hall e sanitários, enquanto o pavimento superior abrigará a administração, copa e depósito.
A área construída totaliza cerca de 1,3 mil metros quadrados, com capacidade para aproximadamente 1.200 pessoas. O projeto inclui ainda adequações para acessibilidade e sistemas de prevenção e combate a incêndios, garantindo segurança e conforto ao público.
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Um novo capítulo para o Cordão da Bola Preta
Pedro Ernesto Marinho, presidente do Cordão da Bola Preta, destacou a relevância da nova sede para o futuro do bloco. “O Bola Preta é um ícone da cultura carioca e do Carnaval. Era impossível imaginar o bloco com 107 anos sem um espaço compatível com sua história, capaz de expor seu acervo para estudantes e turistas. A nova sede tem tudo para se tornar uma referência cultural no Rio, como o Museu do Amanhã”, afirmou.
História do bloco mais antigo do Rio
Fundado em 13 de dezembro de 1918, o Cordão da Bola Preta nasceu da reunião de amigos no bar Cave de Ouro, na Rua da Carioca. O objetivo era preservar o Carnaval tradicional de rua em meio às mudanças urbanas e culturais do Rio. As cores preto e branco foram adotadas como identidade do bloco, que se consolidou como uma manifestação popular aberta e acessível.
Durante o século XX, especialmente entre as décadas de 1930 e 1970, o Bola Preta manteve seu formato original de cordão carnavalesco, com marchinhas, metais e percussão, resistindo ao desaparecimento de outros blocos e à transformação de muitos em escolas de samba. Sua sede, que funcionou por anos na Avenida Treze de Maio e atualmente está na Rua da Relação, tornou-se ponto de encontro para músicos, boêmios e foliões de várias gerações.
No século XXI, com a retomada do Carnaval de rua, o Cordão da Bola Preta firmou-se como um dos maiores símbolos da festa popular no país, reunindo milhões de foliões na Avenida Rio Branco durante o Sábado de Zé Pereira, que abre oficialmente os festejos no Centro do Rio. A reconstrução do Centro Cultural marca uma nova fase para a preservação da memória, do samba e do Carnaval de rua como patrimônio vivo da cidade.

