O Impacto dos Palavrões no Desempenho Físico
Uma pesquisa inovadora envolvendo 300 participantes destacou que o uso de palavrões pode ser uma ferramenta eficaz para melhorar o desempenho em exercícios físicos. Os resultados mostram que, ao proferir um xingamento, os indivíduos tendem a se concentrar mais, aumentando a autoconfiança e a sensação de envolvimento na atividade, o que permite que eles superem a tendência de se conter durante o exercício.
Os experimentos revelaram que os participantes conseguiram sustentar o peso do próprio corpo por um tempo mais longo quando xingavam, em comparação a quando usavam uma palavra neutra. Em uma análise conjunta de três estudos, o tempo médio de exercício aumentou de 25,4 segundos para 28 segundos. Isso representa um acréscimo de 2,6 segundos, ou aproximadamente 10% a mais de resistência, um resultado que, embora pequeno, é consistente e estatisticamente significativo.
O Estado Psicológico de Desinibição
Os pesquisadores explicam que o uso de palavrões permite que os indivíduos entrem em um estado psicológico de desinibição, no qual as normas sociais e as autocríticas perdem força temporariamente. “Muitas vezes, as pessoas se retêm — de forma consciente ou inconsciente — e não aproveitam todo o potencial que têm”, afirmam os autores nas conclusões do estudo.
Os resultados indicam que xingar não atua como um estimulante físico direto. Estudos anteriores do mesmo grupo já indicaram que o efeito se manifesta mesmo sem um aumento significativo nos marcadores de excitação física. O que realmente se destaca na pesquisa é o aspecto mental: xingar favorece uma sensação de ‘fluxo’, melhora a autoconfiança e diminui pensamentos dispersos que podem competir pela atenção durante a prática de atividades.
Fatores Contribuintes e Limitações do Estudo
Quando analisados em conjunto, esses três fatores explicam cerca de 14% da melhora no desempenho físico, de acordo com a análise global da pesquisa. Essa relação é relevante em diversos contextos, que vão desde exercícios físicos e reabilitação até situações de pressão, onde há uma tendência a “pisar no freio” devido a receios ou autocensura.
No entanto, os autores do estudo também destacam algumas limitações. A incapacidade de cegar os participantes durante os testes abriu espaço para o chamado efeito expectativa, que pode influenciar os resultados. Além disso, os experimentos foram limitados a tarefas específicas e de curta duração.
O estudo, que possui um desenho experimental com medidas repetidas, foi realizado por pesquisadores da Keele University e incluiu dois experimentos pré-registrados, além de uma análise agregada de dados passados, totalizando 300 participantes. Entre os pontos positivos do trabalho estão a replicação do efeito observado, a transparência metodológica e a disponibilização pública dos dados, permitindo que outros pesquisadores possam verificar e expandir os achados.

