Aperto de Sinais de Alerta
No dia 8 de dezembro, um motorista de aplicativo que atendia uma chamada na região do Jacaré, na zona norte do Rio de Janeiro, se deparou com uma situação preocupante. “Assim que cheguei ao local indicado, duas meninas surgiram correndo em minha direção e entraram no banco traseiro”, relatou ao programa Fantástico. Durante o trajeto, ele percebeu que as crianças demonstravam bastante confusão sobre o destino e utilizavam o Google Tradutor para se comunicar com a pessoa que havia solicitado a corrida. “Foi aí que comecei a ficar em alerta”, comentou.
O destino das meninas era Santa Teresa, no centro da cidade do Rio. Ao chegar, o motorista notou que quem as aguardava era um homem chamado Floyd. “Eu passei um pouco do endereço de propósito. Ele já estava ali do lado de fora esperando”, contou o motorista. Não satisfeito com a situação, ele decidiu denunciar o ocorrido à plataforma da Uber. A empresa então começou uma investigação interna e alertou as autoridades competentes.
Investigação Reveladora
A Uber identificou indícios significativos de exploração sexual e turismo sexual relacionados ao caso. Durante as investigações, descobriu-se que Floyd havia realizado várias corridas entre os dias 8 e 19 de dezembro, período em que fugiu para São Paulo. Na última semana, ele foi finalmente preso. Com o suspeito, a polícia apreendeu materiais alarmantes, como câmeras escondidas, óculos de realidade virtual, bichos de pelúcia e múltiplos dispositivos eletrônicos, incluindo cinco celulares, 12 pendrives e cartões de memória. “Ele tinha uma grande capacidade de produzir conteúdos”, afirmou a delegada Maria Luiza Machado.
De acordo com as autoridades, Floyd atuava como influenciador digital e gravava suas vítimas sem o consentimento delas, utilizando até um relógio com câmera escondida. Ele mantinha dois canais na internet: um deles promovia a agressão contra policiais, enquanto o outro se associava ao movimento “Passport Bro”, que incentiva homens de países desenvolvidos a buscar relacionamentos sexuais em nações em desenvolvimento. Além disso, o suspeito já tinha um histórico criminal envolvendo agressão, roubo e ameaça terrorista em três estados dos Estados Unidos.
Continuação da Investigação
A polícia acredita que entre oito e doze crianças podem ter sido vítimas de Floyd no Rio de Janeiro, e as investigações continuam para descobrir se existem intermediários ou uma possível rede criminosa operando na área. O consulado americano já foi informado sobre a situação, mas não se pronunciou a respeito por questões de privacidade.
Para reforçar a luta contra a exploração sexual infantil, a Uber anunciou que, a partir do início do próximo ano, todos os motoristas receberão treinamento específico para identificar sinais de tráfico de pessoas. Além disso, a empresa estabeleceu uma parceria com a ONG The Exodus Road Brasil, que trabalha no combate à exploração sexual. “Na dúvida, denuncie. Se viu algo suspeito, não hesite em reportar”, enfatizou Cinta Meirelles, diretora da ONG.
Podcast de Investigação
Por fim, o podcast Isso É Fantástico, disponível no g1 e nas principais plataformas de podcast, traz reportagens profundas, investigações e histórias intrigantes sob a marca de jornalismo do Fantástico. Não deixe de seguir, curtir ou assinar o Isso É Fantástico no seu serviço de streaming favorito, com novos episódios lançados todos os domingos.

