Desafios e Disputas no Cenário Político de SC
O ano de 2026 traz à tona um novo capítulo nas tensões partidárias que definem a política brasileira. A última década, marcada pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), viu o fortalecimento de diversas correntes políticas, especialmente a direita, e a ascensão de um discurso conservador, amplificado pelas redes sociais. A volta do PT ao poder, com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, e as repercussões do seu governo, incluindo tentativas de golpe que resultaram em prisões, moldam o cenário para o futuro próximo.
Em Santa Catarina, a disputa pelo Senado promete ser uma das mais acirradas do país. A chegada do ex-vereador Carlos Bolsonaro ao estado, como candidato ao Senado, pode acirrar ainda mais os ânimos entre as lideranças bolsonaristas. Além dele, o atual senador Esperidião Amin (PP) e a deputada Carol de Toni (PL) também estão na corrida, enquanto o atual governador Jorginho Mello (PL) busca a reeleição. A rejeição de Carlos por parte de uma fração do eleitorado, por não ser natural do estado, pode influenciar fortemente essa disputa.
A necessidade de os candidatos se posicionarem rapidamente se intensifica, já que até 4 de abril, data limite para mudanças partidárias, os nomes precisam ser definidos. A disputa interna no PL pode levar Carol de Toni a considerar uma migração para outro partido, dada a pressão e os convites que já recebeu.
Observando essas movimentações, figuras como Décio Lima (PT) e Gilson Marques (Novo) se mostram atentos, preparados para aproveitar a turbulência do campo bolsonarista e alavancar suas candidaturas.
Conflitos pelo Governo de SC
A corrida pelo governo do estado se desenha entre dois bolsonaristas proeminentes. O atual governador Jorginho Mello se coloca como candidato à reeleição, enfrentando o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), que também se alinhou com Bolsonaro. O cenário se complica ainda mais, com a divisão de prefeitos e deputados em torno de suas candidaturas, dado o apoio generalizado a Bolsonaro entre esses grupos.
Por outro lado, a esquerda busca repetir o feito histórico de 2022, quando o PT alcançou o segundo turno em SC. Nomes como o de Décio Lima podem retornar à disputa, considerando uma aliança com candidatos de centro para fortalecer sua plataforma. Afrânio Boppré (PSOL), Marcos Vieira (PSDB) e Marcelo Brigadeiro (Missão) completam a lista de pré-candidatos ao governo em 2026.
Renovação do Senado e Táticas contra o STF
A disputa pelo Senado não se limita a Santa Catarina; partidos de todo o Brasil se mobilizam para a renovação de dois terços da Casa. O ex-presidente Jair Bolsonaro, já preso, tinha concedido que o PL buscava eleger um número expressivo de senadores para ter força no Congresso e se contrabalançar contra o STF. Com nomes como Carlos e Michelle Bolsonaro (no Distrito Federal) sendo considerados, a expectativa é criar uma bancada forte para possíveis “contra-ataques” ao Supremo, responsabilidade que poderia levar a novas crises institucionais.
O Legado do Bolsonarismo em Debate
O que se espera para 2026 também diz respeito aos herdeiros do bolsonarismo. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se posiciona como potencial candidato à presidência, mas sem o apoio explícito de Jair Bolsonaro. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro lançou sua candidatura, complicando ainda mais as dinâmicas internas. Este embate pode fazer com que Tarcísio permaneça no governo de SP, onde já é o favorito.
A Rivalidade Lula e o Bolsonarismo
A briga entre Lula e o bolsonarismo se intensifica, agora com um novo agente político no lugar do ex-presidente. Com propostas voltadas à isenção do Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5 mil e um foco em estabilização econômica, Lula busca consolidar seu quarto mandato. A oposição, com foco nas pautas de segurança pública e em escândalos de corrupção, tem ambições claras de retorno ao cenário político.
Segurança Pública no Centro dos Debates
A segurança pública se reafirma como um dos temas centrais das campanhas eleitorais. A repercussão da trágica operação policial no Rio de Janeiro, que resultou em 121 mortes, deve trazer esse debate à tona, assim como outras propostas voltadas ao combate à criminalidade, que se tornaram prioridades para muitos eleitores.
Redução de Penas vs. Anistia
Por fim, a questão da dosimetria das penas impostas a Jair Bolsonaro e outros réus continua a polarizar o debate público. A proposta que visa reduzir as penas já foi aprovada em níveis legislativos, mas aguarda a decisão presidencial. A possibilidade de um veto de Lula existe, mas o Congresso tem a capacidade de derrubá-lo, o que poderia impactar diretamente a situação do ex-presidente nos próximos anos.

