Um Balanço Necessário
Com a chegada de um novo ano, é comum refletirmos sobre o que foi conquistado e as expectativas para o futuro. Assim, ao analisarmos o que o Rio de Janeiro pode esperar para 2026, é fundamental recordar os desafios enfrentados ao longo de 2025. Este foi um período marcado por dificuldades significativas, com os serviços públicos e a política do estado se encontrando em um estado crítico.
O ano que se encerrou foi repleto de tragédias e episódios de violência que evidenciaram uma política falida em segurança pública. A corrupção, recorrente na política fluminense, voltou à tona com investigações sobre a alta cúpula da ALERJ e seu envolvimento com o crime organizado. Além disso, a crise no transporte revelou diariamente a ineficiência da mobilidade urbana, enquanto a privatização e o sucateamento do sistema de saneamento básico comprometeram a saúde da população. O resultado? Um estado que parece mais preocupado em explorar seus recursos do que em cuidar de seus cidadãos.
A Educação em Crise
Em meio a esse cenário, a educação no Rio de Janeiro está em uma situação alarmante. Dados do Anuário Brasileiro da Educação Básica de 2025 mostram que apenas 19,6% dos alunos concluem o Ensino Fundamental com competências adequadas em Língua Portuguesa e Matemática. O quadro se torna ainda mais preocupante no Ensino Médio, onde apenas 10,7% dos estudantes terminam o 3º ano preparados. Esta é uma situação que demanda uma resposta imediata e eficaz.
Além disso, a violência se tornou uma realidade invasiva nas escolas. O relatório “Educação Sob Cerco”, publicado pelo Unicef, revela que tiroteios e operações policiais impactaram 1.700 escolas, afetando o aprendizado de mais de 800 mil alunos na região metropolitana do Rio. A desigualdade geográfica é alarmante: enquanto a Zona Sul continua relativamente protegida, as periferias enfrentam a interrupção do cotidiano escolar devido à violência.
Reflexões de Líderes Educacionais
Figuras como Leonel Brizola e Darcy Ribeiro sempre enfatizaram que “a educação é o único caminho para emancipar o homem” e que as falhas na educação brasileira refletem um projeto deliberado. Esse princípio guiou a criação dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), que garantiram uma educação de qualidade, com refeições e atividades extracurriculares. Em contrapartida, a gestão atual, sob a liderança de Cláudio Castro, parece priorizar ações policiais em detrimento da educação e da cultura.
Iniciativas Promissoras
Entretanto, existem iniciativas que merecem destaque. Sob a liderança do prefeito Eduardo Paes e da secretária Martha Rocha, a Secretaria Municipal de Assistência Social tem buscado seguir os ensinamentos de Brizola ao priorizar as crianças nas políticas públicas. O programa Pequenos Cariocas, que introduziu o Cartão da Primeira Infância, visa atender famílias com crianças de até 4 anos que não recebem Bolsa Família e têm renda mensal limitada. Até o momento, cerca de 30 mil famílias foram beneficiadas por essa política.
É importante ressaltar que, devido à profundidade da exclusão social, muitas dessas famílias só puderam acessar seus direitos após o cadastramento. Para facilitar esse processo, a Secretaria implementou o CadMóvel, um serviço itinerante que leva o Cadastro Único mais perto da população. Com mutirões de cadastro, atualizações de dados e orientação, essa iniciativa abriu portas para que mais famílias tivessem acesso a programas sociais essenciais, como o Bolsa Família e o Pé-de-Meia estudantil.
Um Futuro Esperançoso
O Rio de Janeiro que almejo para 2026 é um lugar com menos violência e mais oportunidades educacionais para as crianças; um estado onde os cidadãos vulneráveis são vistos como prioridade e não como alvos. Que o novo ano traga mudanças significativas e que possamos sonhar com um futuro em que o Rio de Janeiro volte a ser um lugar onde a dignidade e a educação são acessíveis a todos.

