O início de uma tradição no Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro é, sem dúvida, um dos destinos mais desejados para as festas de Réveillon no Brasil. A celebração, que atrai milhões de turistas e cariocas, remonta a um feito histórico que ocorreu há mais de 500 anos, quando um navegante português tornou-se o primeiro a dar boas-vindas ao novo ano nas terras que hoje conhecemos como Brasil.
Em 1501, uma missão foi organizada pela Coroa portuguesa com o intuito de mapear a costa do novo território. Acredita-se que Gaspar Lemos tenha liderado essa expedição. Não era sua primeira aventura na região; em 1500, ele havia participado da frota de Pedro Álvares Cabral, que desembarcou em Salvador, na Bahia.
Da navegação à descoberta das belezas cariocas
A missão partiu em março de 1501 e a viagem se estendeu por meses. Em 1º de novembro daquele ano, Lemos avistou a Baía de Todos os Santos, em Salvador, e, logo em seguida, prosseguiu em direção ao sul. Ao chegar em 1º de janeiro de 1502, ele avistou o que acreditou ser a foz de um grande rio. Sem hesitar, nomeou a nova descoberta de Rio de Janeiro, um título que se firmou nos mapas da época. No entanto, o que Lemos avistou não era um rio, mas sim a Baía da Guanabara.
Embora não haja registros que indiquem o exato momento em que se percebeu o erro, o nome se consolidou e, em 1565, a Coroa portuguesa fundou ali a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
A cobiça europeia e a importância da cidade
Após essa descoberta, as deslumbrantes paisagens cariocas rapidamente atraíram a atenção da Europa. Em meados do século 16, ocorreu uma tentativa de fundar a França Antártica na região, colocando em risco a posse portuguesa. Essa investida durou cerca de dez anos.
Com o passar dos séculos, o Rio de Janeiro se tornou a capital do Império Português em 1807, um movimento resultante da invasão de Napoleão Bonaparte em Portugal. O rei Dom João VI fugiu para o Brasil e escolheu a Cidade Maravilhosa como sua nova residência. A chegada do monarca foi um divisor de águas para o município e o país.
A capital do Brasil e a evolução do Réveillon
A independência do Brasil foi proclamada em 1822, e o Rio de Janeiro manteve-se como a capital até 21 de abril de 1960, quando Brasília foi inaugurada pelo presidente Juscelino Kubitschek. Embora o centro do poder político tenha mudado, a beleza natural do Rio e a sua atração turística permanecem inalteradas.
Hoje, a Cidade Maravilhosa abriga cerca de 6 milhões de habitantes, que se preparam para um Réveillon grandioso. Em 1º de janeiro de 2026, espera-se que Copacabana receba cerca de 2,5 milhões de pessoas para a celebração da virada do ano. Para se ter uma ideia do quanto a cidade cresceu, a população de Portugal na época de Gaspar Lemos não chegava a 1 milhão de habitantes.

