Dicas para uma Melhor Saúde Mental
Com a crescente preocupação global relacionada à saúde mental, que afeta cerca de 45% da população mundial, surge a necessidade de implementar hábitos que possam efetivamente melhorar a qualidade de vida. O início de um novo ano é um momento propício para refletir sobre hábitos que podem ser transformados. Especialistas entrevistados pelo GLOBO sugerem sete abordagens que podem ser adotadas para cuidar da saúde mental e torná-la uma prioridade.
1 – **Alimentação e Saúde Mental**: Uma alimentação saudável é crucial para o bem-estar psíquico. Pesquisas em psiquiatria nutricional têm mostrado que dietas ricas em vegetais e grãos integrais, e pobres em alimentos ultraprocessados, estão associadas a uma melhor saúde mental. Um estudo publicado na BMJ revela que a redução de substâncias inflamatórias, provenientes de uma má alimentação, pode diminuir a incidência de sintomas depressivos. Além disso, manter uma microbiota intestinal equilibrada é fundamental, já que 90% da serotonina, neurotransmissor que regula o humor, é produzido no intestino.
2 – **Importância do Sono**: Manter uma rotina de sono adequada, com pelo menos 7 horas de descanso por noite, é essencial. O sono regular auxilia na limpeza de toxinas do cérebro e garante maior disposição para enfrentar os desafios do dia a dia. O psiquiatra Ricardo Patitucci alerta que a insônia pode ser um dos primeiros indícios de ansiedade e depressão, tornando o cuidado com o sono ainda mais relevante.
3 – **Combata o Sedentarismo**: A prática regular de atividades físicas é um remédio poderoso contra os distúrbios mentais. O exercício físico libera endorfinas e endocanabinoides, proporcionando alívio e prazer. A Organização Mundial da Saúde recomenda ao menos 150 minutos de atividade física moderada semanalmente, e um estudo demonstrou que apenas 15 minutos de atividade diária já pode trazer benefícios significativos para a saúde mental.
4 – **Aprenda Algo Novo**: O início de um novo ano é uma excelente oportunidade para se inscrever em cursos ou aprender uma nova habilidade. Patitucci ressalta que isso não só estimula novas conexões cerebrais, mas também proporciona um senso de propósito e pode ser um fator protetor contra demências futuras.
5 – **Construindo uma Rede de Apoio**: O suporte emocional é vital para enfrentar momentos difíceis. Esteja atento às pessoas ao seu redor e busque criar uma rede de apoio composta por amigos e familiares. Quanto mais forte essa rede, mais fácil será encontrar auxílio durante períodos de dificuldades emocionais.
6 – **Desconectar-se das Redes Sociais**: Com o aumento das comparações sociais, desconectar-se das redes sociais pode ser uma estratégia eficaz para aliviar a pressão psicológica. Reduzir o tempo gasto nessas plataformas ajuda a evitar a comparação com vidas editadas e perfeitas, melhorando o bem-estar geral. Aplicativos como Instagram oferecem ferramentas para limitar o tempo de uso, o que pode ser uma maneira eficaz de controlar a exposição.
7 – **Valorize a Terapia**: A terapia é uma ferramenta poderosa e não deve ser vista apenas como um recurso em tempos de crise. Patitucci defende que o autoconhecimento promovido pelas sessões terapêuticas é essencial para gerenciar situações desafiadoras antes que se tornem sérias. O estigma em torno da busca por ajuda profissional está sendo desafiado, e é fundamental que as pessoas se sintam encorajadas a procurar apoio sempre que necessário.
Em um momento em que os transtornos de saúde mental estão aumentando no Brasil, é crucial que a sociedade se una para promover mudanças positivas. Os dados da Organização Mundial da Saúde indicam que, em 2019, aproximadamente 18,6 milhões de brasileiros sofriam com ansiedade, evidenciando a necessidade de estratégias efetivas de cuidado com a saúde mental.

