A Conexão com Novas Gerações
Depois de uma pausa de 14 anos, Sarajane está de volta ao Rio de Janeiro para abrir as festividades de carnaval. No dia 30, a artista se apresenta no Casabloco, no Jockey Club, durante o Baile de Novela, ao lado do bloco Fogo e Paixão. Em entrevista, ela expressa sua empolgação com a atuação e destaca a energia vibrante do grupo.
“Achei o máximo, pois eles realmente têm fogo e paixão. É uma banda que irradia alegria e carrega a essência do Rio”, compartilha Sarajane, que aos 57 anos promete uma performance animada, com seis ou sete de suas canções mais icônicas. Essa renovação de público é algo que a artista tem vivenciado em seus shows pelo Brasil.
Um dos principais motivos dessa conexão com as novas gerações é a recente regravação de sua famosa música “A roda”. Ela colaborou com nomes como o DJ de funk O Mandrake e a drag queen Nininha. Para Sarajane, a originalidade da canção, que já trazia influências do funk americano, se encaixa perfeitamente com o estilo contemporâneo das periferias brasileiras.
“Estou aberta ao novo. Acredito que o passado é um ensinamento, e devemos avançar. Em Salvador, estou fazendo parcerias com artistas emergentes, como Melly e Rachel Reis. Isso é fundamental para a renovação do meu público, que se expande em todo o Brasil, especialmente com a ajuda da internet”, explica.
Interação com os Jovens
Em 2025, durante o carnaval, Sarajane teve uma experiência marcante ao dividir o palco com o MC O Kannalha, um ícone da música periférica. Ela descreve o momento como grandioso, ao ver jovens de 15 a 17 anos cantando suas músicas. “Foi uma validação incrível! Isso é o que realmente importa para mim”, reflete a artista, que fez sucesso nos anos 80 com a música que se tornou um clássico.
Ela faz uma crítica ao que considera a visão conservadora sobre as novas letras e estilos. “Quando alguém diz que uma música é pesada, eu respondo: ‘Vocês estão ficando velhos!’ Não devemos ignorar o que é feito hoje. Assim como em nossa época, havia músicas com duplo sentido e temas polêmicos”, argumenta Sarajane.
Nos últimos anos, a cantora tem se reerguido na cena musical com lançamentos como o EP “Liquidificação” e seu novo single “Um mulherão da zorra”. Durante a pandemia, ela se destacou com a live “A Roda”, onde interagia com seus fãs mostrando um pouco do seu cotidiano.
Família e Reflexões Pessoais
Sarajane é mãe de cinco filhos, que ela orgulhosamente descreve como bem-sucedidos. “Me sinto honrada por criá-los sozinha e ver o que se tornaram. Cada diploma que recebo deles é como um cumprimento de dever”, diz emocionada.
Recentemente, ela também tem refletido sobre sua própria vida e a maneira como lida com sua sexualidade. Sarajane se considera assexuada e defende que a autoconhecimento é essencial para a felicidade. “Muitas vezes, a carência leva a perdas de si mesma. Prefiro estar sozinha e livre”, afirma.
A artista ainda carrega as marcas de um afastamento da música devido a problemas pessoais, mas ressalta que essa pausa foi necessária para seu crescimento. “Estudei Turismo, Comunicação e Pedagogia. Isso me ajudou muito na volta à música, embora eu tenha encontrado um cenário diferente”, analisa.
Com um retorno marcado por exigências dos fãs, Sarajane se reestabeleceu na indústria musical e agora, além do Casabloco, planeja apresentações em Pernambuco no projeto Estação da Luz, com o maestro Spock. “Em fevereiro, começo meu bailinho ‘Um Axé para Você’, que já está no nono ano. É uma festa aberta para todos, especialmente para os jovens e a comunidade LGBTQIA+”, conclui.

