Uma Nova Realidade no Mercado de Trabalho
O cenário do emprego no Brasil registrou um aumento alarmante na rotatividade, com cerca de 9 milhões de trabalhadores pedindo demissão em 2025, segundo estudo do economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence. A pesquisa, respaldada por dados do Ministério do Trabalho, revelou que a rotatividade atingiu 36%, a mais alta já documentada. Em comparação, em 2013, em um período econômico igualmente aquecido, esse índice era de 28,6%.
Imaizumi observa que muitos profissionais estão trocando de emprego em busca de melhores oportunidades, e não necessariamente no mercado formal. “Os trabalhadores estão se desligando para buscar alternativas que consideram mais vantajosas, como empreender ou investir em educação”, afirma.
Desafios na Retenção de Talentos
Especialistas destacam que esse panorama gera desafios adicionais para as empresas no que tange à retenção e qualificação da mão de obra. “Com um número significativo de trabalhadores pouco qualificados, é mais fácil para eles transitar entre empregos, desde que não exijam muita formação”, explica Imaizumi, referindo-se a um fenômeno estrutural que contribui para a alta rotatividade no país.
Elisa Jardim, gerente da consultoria de recrutamento Robert Half, complementa que a abundância de vagas não é acompanhada por um aumento correspondente no número de profissionais qualificados. “Enquanto 44% das empresas reportam rotatividade inferior a 5%, 28% enfrentam um turnover acima de 10% — um número que tem crescido”, observa.
Impacto da Digitalização e Novas Expectativas
O atual cenário de desemprego baixo intensifica a competição por profissionais qualificados, dando aos trabalhadores uma confiança maior para negociar melhores condições. Jardin salienta que a digitalização da economia tem influenciado as empresas a equilibrar a cautela orçamentária com investimentos em talentos.
Além disso, a pandemia de Covid-19 alterou as aspirações profissionais. Ana Heloísa Pires, de 29 anos, trocou de emprego em busca de melhores condições de trabalho, após enfrentar um quadro de burnout. “Agora, meu novo emprego oferece salários e benefícios superiores, mas ainda estou atenta a novas oportunidades”, conta.
Preferências em Mudança Entre os Jovens
Essa tendência de mudança é especialmente evidente entre os jovens. Elaine Lopes, de 21 anos, trocou de emprego para ter um horário melhor e proximidade com sua área de interesse. “A nova empresa me proporciona mais conforto e a chance de aprender mais”, diz.
Fernando de Holanda Barbosa Filho, economista do FGV Ibre, observa que essa situação cria uma competição entre empresas por profissionais qualificados. “Quando um trabalhador se torna mais produtivo, a demanda por seus serviços aumenta, levando as empresas a oferecer salários mais altos para atrair esse talento de seus concorrentes”, explica.
Custo do Desligamento e Retenção de Talentos
No entanto, essa competição tem um custo. Embora as empresas busquem contratar profissionais mais produtivos, os salários frequentemente superam os níveis de produtividade. “A perda de funcionários experientes resulta na perda de conhecimento crítico, impactando negativamente a eficiência da equipe”, adverte Jardim.
Diante desse cenário competitivo, as empresas estão se esforçando para manter seus talentos. Emerson Nery, de 47 anos, retornou à empresa onde havia trabalhado por sete anos, atraído por uma proposta tentadora que contemplava não apenas um bom salário, mas também oportunidades de crescimento.
Expectativas para o Futuro
Embora a rotatividade tenha atingido níveis recordes em 2025, Imaizumi prevê uma estabilização nas demissões voluntárias nos próximos anos. “Muitas pessoas se alocaram em empregos que realmente desejavam após a pandemia, e isso deve levar a uma redução nos desligamentos em 2026”, conclui.
O mercado de trabalho brasileiro está em transformação, e os profissionais buscam cada vez mais condições que favoreçam não apenas a remuneração, mas também o bem-estar e a satisfação em suas atividades.

