Críticas à Diplomacia Brasileira
Em uma declaração contundente, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), manifestou sua insatisfação com a abordagem do Brasil, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em relação ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela. Tarcísio afirmou que o Brasil deveria ter promovido um ‘processo de transição’ democrática no país vizinho, ao invés de se mostrar ‘irrelevante’ e tratar Maduro como um ‘companheiro’ em vez de um ditador. As críticas vieram à tona após uma acusação de cinismo por parte da ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, em resposta ao governador, que havia celebrado a ação dos Estados Unidos contra Maduro.
Tarcísio defendeu que o Brasil poderia ter desempenhado um papel mais proativo na deposição de Maduro, apontando que a queda do regime venezuelano poderia ter ocorrido de maneira ‘menos abrupta’. Ele enfatizou que, embora existam críticas ao uso de força, algo deveria ser feito diante da situação crítica da Venezuela. ‘O tratamento que o Maduro teve sempre foi de companheiro, nunca foi ditador. A manifestação que vem do Brasil agora é errada’, afirmou o governador em entrevista ao jornal Estadão.
Omissão e Consequências
O governador, que acentuou a relevância de uma posição assertiva do Brasil, comentou que a recente ação dos EUA foi resultado da ‘omissão’ dos países latino-americanos em relação à crise venezuelana. ‘A derrocada da Venezuela ao longo de décadas coincide com os ciclos de poder do PT no Brasil’, destacou Tarcísio, apontando que a falta de liderança brasileira contribuiu para a situação atual no país vizinho, que, segundo ele, carece de um verdadeiro processo democrático.
Tarcísio caracterizou o regime de Maduro como ‘ruim para a América do Sul’, alegando que sua permanência no poder prejudica não apenas a Venezuela, mas toda a região. Com a recente captura de Maduro, o governador acredita que é agora uma oportunidade para o Brasil se reerguer e auxiliar a Venezuela em sua recuperação. ‘Esperamos que, com o restabelecimento do poder político, haja pragmatismo por parte do governo brasileiro para reconhecer um novo governo legítimo e democrático’, completou.
Reação de Lula e Chamado à Diplomacia
Logo após a captura de Maduro, o presidente Lula criticou a ação militar dos Estados Unidos, chamando-a de uma ‘afronta gravíssima à soberania’ da Venezuela e alertando para os perigos que tais atos representam para a comunidade internacional. Lula, que havia se oferecido como mediador para um diálogo pacífico, reiterou sua posição contra intervenções militares, enfatizando a necessidade de uma solução diplomática. ‘As coisas não se resolveriam dando tiro’, disse Lula, sublinhando sua preocupação com uma possível catástrofe humanitária resultante de uma intervenção.
Tarcísio e as Redes Sociais
Em suas redes sociais, Tarcísio já havia se manifestado sobre o assunto, compartilhando um vídeo onde celebra a captura de Maduro, descrevendo o evento como um ‘marco simbólico’. ‘Uma ditadura não cai da noite para o dia. Ela corrói lentamente’, comentou o governador, destacando as consequências nefastas da permanência de regimes autoritários. Sua abordagem, no entanto, foi criticada por Gleisi Hoffmann, que acusou Tarcísio de cinismo e de adotar um discurso que ressoa com a lógica do bolsonarismo, minimizando a soberania nacional ao celebrar intervenções externas.
‘Tarcísio Freitas, que vestiu boné do Trump e comemorou medidas que prejudicaram o Brasil, agora responsabiliza Lula pela invasão dos EUA à Venezuela. É uma demonstração de cinismo’, disse Gleisi em resposta ao governador nas redes sociais, aprofundando ainda mais o debate sobre a complexidade das relações internacionais e a política externa do Brasil.

