Governador do Rio no Caminho do Senado
Cláudio Castro (PL), prestes a deixar seu cargo no governo do Rio de Janeiro, não enfrenta mais o risco imediato de cassação. Segundo informações apuradas pela VEJA, a ação eleitoral que poderia resultar na perda de seu mandato deve ser analisada apenas no final de janeiro. A previsão é que o julgamento não ocorra antes da sua saída para concorrer a uma vaga no Senado, uma vez que a votação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dificilmente será concluída antes da desincompatibilização de Castro, que pretende deixar a função após o Carnaval, em fevereiro.
Embora fora do Palácio Guanabara, o governador não está completamente livre do impacto do julgamento no TSE. Caso haja uma condenação, uma das consequências pode ser a inelegibilidade, mas essa decisão só impediria Castro de se candidatar ao Senado se ocorrer antes das eleições, conforme explicações de advogados consultados pela reportagem. O governador se defende das acusações, alegando inocência.
A investigação envolve acusações de abuso de poder político e econômico, onde o Ministério Público Eleitoral aponta que Castro teria participado da contratação de servidores temporários no Centro Estadual de Pesquisa e Estatística do Rio (Ceperj) com o intuito de atuar como cabos eleitorais nas eleições de 2022. Vale lembrar que ele já foi absolvido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) no ano passado.
Além do governador, o deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), que é presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio, e o ex-vice-governador Thiago Pampolha, que deixou seu cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, também estão envolvidos no processo.
O julgamento, que começou em novembro, foi interrompido após um pedido de vista do ministro Antonio Carlos Ferreira, que está preparando seu voto. A expectativa é que a ação retorne à pauta do TSE no final de janeiro, e a decisão sobre a nova data de votação ficará a cargo da ministra Cármen Lúcia, presidente do tribunal.
Até o momento, apenas a ministra Isabel Gallotti se manifestou, apoiando a condenação do governador, do seu vice e do deputado. Uma fonte do TSE, que preferiu permanecer anônima, comentou sobre a possibilidade de um novo pedido de vista, o que poderia adiar ainda mais o desfecho do caso. Se isso acontecer, o cenário mais favorável para Castro poderia se estender até 2027, uma vez que as próximas eleições ocuparão a agenda do tribunal neste ano.

