Exportações em Alta Apesar das Dificuldades
De acordo com um estudo elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), sete estados brasileiros obtiveram resultados recordes nas exportações em 2025, representando aproximadamente 35% das vendas externas do Brasil. Este feito ocorre em um contexto marcado por tarifas elevadas impostas pelos Estados Unidos e incertezas que permeiam o comércio mundial.
No total, as exportações do Brasil alcançaram impressionantes US$ 348,7 bilhões no ano de 2025, estabelecendo um novo marco histórico no volume geral. Entre os estados que se destacaram, o Rio de Janeiro foi um dos principais protagonistas, exportando US$ 48,1 bilhões, o que representou um crescimento de 5% em relação ao ano anterior, contabilizando assim 13,8% das vendas externas nacionais.
Outro estado que também obteve um desempenho notável foi Minas Gerais, que conseguiu um recorde ao exportar US$ 45,7 bilhões, representando um aumento significativo de 8,6% em comparação ao ano anterior. Santa Catarina, por sua vez, também se destacou, apresentando um total de US$ 12,2 bilhões em exportações, com um crescimento de 4,4%.
Crescimentos Expressivos em Diversos Estados
Seguindo a lista, Mato Grosso do Sul registrou exportações de US$ 10,7 bilhões, o que representa um crescimento de 7,5% e a consolidação de um novo recorde estadual. Já Rondônia alcançou a marca de US$ 3,1 bilhões, com um impressionante crescimento de 17,2%. Pernambuco também se sobressaiu, com US$ 2,5 bilhões em vendas externas e um avanço de 16,4%, enquanto o Acre, que somou aproximadamente US$ 99 milhões, cresceu 13,3%, completando assim o grupo de estados com recordes históricos.
Principais Produtos nas Exportações
A composição das exportações dos estados que atingiram recordes em 2025 revela uma forte concentração em produtos-chave. No Rio de Janeiro, a contribuição do setor de energia foi fundamental, com os óleos brutos de petróleo representando a maior parte das vendas externas, somando mais de US$ 37 bilhões. Os óleos combustíveis, além de produtos semiacabados de ferro ou aço e minério de ferro, também contribuíram significativamente.
Em Minas Gerais, as exportações foram diversificadas, mas com forte ênfase em commodities. O minério de ferro liderou as vendas, seguido por café não torrado, ferro-gusa, ouro não monetário, soja e açúcares, que juntos representaram uma parte considerável do total exportado pelo estado. Santa Catarina, por sua vez, se destacou pela exportação de carnes, principalmente de aves e suínos, além de produtos industriais, como geradores elétricos e motores.
Em Mato Grosso do Sul, os produtos do agronegócio e da indústria de base, como soja, celulose, carne bovina e milho, foram determinantes para o recorde. Nos estados do Norte e do Nordeste, como Rondônia e Pernambuco, a pauta de exportações foi menos diversificada, com Rondônia focada em carne bovina e Pernambuco comercializando principalmente óleos combustíveis e açúcares.
Perspectivas Futuras para as Exportações Brasileiras
O MDIC também observou um crescimento expressivo em outras regiões do país. O Ceará, por exemplo, teve uma expansão de 55,6% em suas exportações em 2025, seguido por Roraima (23%) e Tocantins (21,7%). Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior da Secex, ressaltou que, embora os Estados Unidos sejam um dos principais destinos das exportações, não foram o maior mercado para a maioria dos estados, exceto Santa Catarina.
Brandão enfatizou que, mesmo com a diminuição das vendas para o mercado americano, o total exportado pelo estado não foi prejudicado, sendo compensado por um aumento nas vendas para países como Argentina, China e Chile. Ele também destacou que a carne bovina teve um papel relevante nas exportações de diversos estados devido à sua produção descentralizada.
No Rio de Janeiro, a concentração em petróleo se manteve alta, com cerca de 80% das exportações oriundas desse setor. Apesar das incertezas que cercam o comércio global, Brandão acredita em um cenário de crescimento para as exportações brasileiras, apoiado por uma produção aumentada de soja, petróleo e minério de ferro.
A secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, destacou as iniciativas do governo para aumentar a participação dos estados no comércio internacional, com a implementação da Política Nacional da Cultura Exportadora (PNCE), que visa mobilizar produtos com potencial exportador e tornar a política comercial brasileira mais inclusiva. Ela enfatizou a importância de incluir estados variados e promover a participação de grupos como mulheres e pessoas negras no comércio exterior.

