Mudanças Estruturais nos Estaduais
A temporada de 2026 já começou com tudo para os Estaduais. No último dia 3, a bola rolou pela primeira vez no Campeonato Cearense, Catarinense e Paranaense. Nos próximos dias, outros torneios como o Paulista, Carioca, Mineiro e Gaúcho também darão início às suas competições. Contudo, essas novidades vão além do pontapé inicial da temporada. Com o início da Série A do Campeonato Brasileiro programado para o dia 28 de janeiro, os tradicionais campeonatos estaduais enfrentam o desafio de se adaptar a um calendário mais enxuto, que agora conta com um total de apenas 11 datas.
Os Estaduais, historicamente uma parte essencial do futebol brasileiro, estão passando por uma transformação significativa. As federações estaduais têm ajustado os formatos dos torneios, buscando maximizar a importância dos clássicos e rivalidades. Os campeonatos como o Carioca, Catarinense, Paranaense e Paulista, que outrora tinham fases de classificação com todos contra todos, agora apresentam novas estruturas. Nos três primeiros, os 12 participantes foram organizados em dois grupos de seis.
Formato Inovador no Paulista
Um exemplo notório é o Campeonato Paulista, que decidiu adotar um formato inspirado na UEFA Champions League. Ao invés dos grupos convencionais, as 16 equipes disputarão uma fase de liga, onde cada time fará oito partidas antes da fase de mata-mata. Ao final, os oito clubes com o melhor desempenho avançarão para as próximas etapas.
Alguns Estaduais optaram por mudanças menos drásticas, como o Gaúcho e o Paraense, que trocaram suas fases de três grupos por apenas duas. Já o Campeonato Pernambucano e o Baiano decidiram manter o sistema de todos contra todos, o que preserva a tradição e a emoção dos confrontos.
Apostando nas Rivalidades
Com a necessidade de simplificar as competições, as federações estão focadas em promover os clássicos, fundamentais para atrair a atenção do público e de patrocinadores. Os novos formatos garantem que os torcedores possam assistir a confrontos tradicionais, como Avaí contra Figueirense e Internacional versus Grêmio, mesmo com o número reduzido de jogos.
No Rio de Janeiro, a situação é um pouco diferente, já que nem todos os clássicos acontecerão na primeira fase, mas a expectativa é manter a rivalidade aquecida entre os times. A estratégia visa manter não apenas o interesse dos torcedores, mas também o dos patrocinadores e das emissoras de TV.
“O futebol é cada vez mais estratégico. O Paulistão continua sendo uma vitrine importante desde o início da temporada, com clássicos em seis das oito rodadas da fase inicial. Essa nova fórmula traz mais emoção, onde cada jogo tem grande importância”, afirma um representante da federação paulista.
Interesse dos Patrocinadores em Alta
Apesar das mudanças e do novo calendário, o apelo dos Estaduais continua forte no mercado publicitário. As cotas de patrocínio foram vendidas e os acordos de transmissão mantiveram-se, pelo menos para esta temporada. Entretanto, o verdadeiro teste será após o início do Campeonato Brasileiro, quando o interesse do público poderá determinar o futuro dos estaduais nos próximos anos.
Renê Salviano, CEO da agência Heatmap, revela que as vagas do Campeonato Mineiro foram completamente comercializadas, agregando ainda mais credibilidade à força dos campeonatos estaduais: “Os estaduais sempre foram um canal direto de comunicação com uma comunidade específica e continuam sendo viáveis em termos de custo, especialmente no esporte mais popular do Brasil”.
Impacto para os Clubes Menores
Embora as mudanças visem fortalecer as rivalidades, os clubes menores enfrentam um impacto negativo, já que terão menos oportunidades de confronto com as equipes grandes. Esses jogos são cruciais para garantir visibilidade e, em muitos casos, boas vendas de ingressos.
Para amenizar os efeitos da nova estrutura, a CBF ampliou a quantidade de vagas por estado na Copa do Brasil, que oferece premiações significativas a cada fase, e na Série D, promovendo um calendário mais abrangente. Além disso, foram remodelados os torneios regionais, aumentando o número de participantes e criando a nova Copa Sul-Sudeste.

