A Nova Temporada de Cruzeiros em Rio Grande
O desembarque de cruzeiros marítimos no Porto de Rio Grande, embora ainda seja um evento pontual, vem ganhando destaque como um importante motor de desenvolvimento econômico durante os meses de verão no Sul do Rio Grande do Sul. A temporada 2025/2026 teve início em 24 de dezembro e se estenderá até o final de fevereiro, com três escalas já confirmadas. A primeira, realizada no dia de Natal, foi seguida por outras duas programadas para 31 de janeiro e 19 de fevereiro. A expectativa é que cerca de 2,5 mil passageiros, tanto nacionais quanto internacionais, visitem a cidade, promovendo um impacto significativo nas atividades ligadas ao turismo, comércio e serviços.
O cruzeiro Seven Seas Splendor, de luxo e operado pela Regent Seven Seas Cruises, foi o responsável pela primeira escala da nova temporada. Com bandeira das Ilhas Marshall, o navio trouxe mais de 1,3 mil pessoas a bordo, entre passageiros e tripulação. Aproximadamente 600 turistas tiveram a oportunidade de participar de city tours bilíngues, visitando o Centro Histórico, museus e outros pontos culturais de Rio Grande.
Transformação em Parada Turística
De acordo com Dado Moraes, secretário adjunto de Desenvolvimento, Inovação, Turismo e Economia do Mar de Rio Grande, a grande novidade em relação a temporadas anteriores é a transformação do porto em um ponto turístico bem estruturado, não apenas um local técnico de abastecimento. “Historicamente, o porto recebia navios apenas para abastecimento e remoção de resíduos. Contudo, com um planejamento mais estratégico, conseguimos oferecer uma experiência turística, com pacotes de passeios vendidos a bordo e um receptivo organizado”, explica Moraes.
A operação envolve uma rede de agências locais, guias de turismo, intérpretes, empresas de transporte e artesãos locais, que se mobilizam para garantir uma recepção calorosa aos visitantes. No dia do desembarque, uma frota de ônibus é disponibilizada para levar os turistas aos principais pontos de interesse da cidade. Além disso, feiras de artesanato e apresentações culturais são organizadas para enriquecer a experiência dos visitantes. O comércio local, que inclui de lojas a restaurantes, também se beneficia desse fluxo intenso de clientes, mesmo que por um período limitado.
Impactos Econômicos Imediatos
Os benefícios econômicos vão além do consumo imediato dos turistas. Moraes destaca que a arrecadação de Imposto sobre Serviços (ISS) se inicia antes do desembarque, através da prestação de serviços portuários, trabalho de despachantes e guias turísticos. “Temos uma cadeia econômica muito ampla. Embora ainda não possamos oferecer uma estimativa exata sobre os gastos médios por passageiro, a quantidade de serviços prestados já representa um volume significativo de receita para o município”, afirma o secretário adjunto.
A estratégia da prefeitura abrange a mobilização de diversos setores para garantir segurança, limpeza urbana e atendimento em saúde durante a visitação. Praças e equipamentos culturais permanecem abertos, enquanto a Guarda Municipal intensifica a presença nas áreas mais movimentadas. Avaliações feitas pelo Observatório de Turismo, uma parceria entre a prefeitura e a Universidade Federal do Rio Grande (Furg), indicam que a receptividade da população, a conservação do Centro Histórico e a presença de áreas verdes urbanas estão entre os aspectos mais elogiados pelos turistas que vêm de fora.
Potencial de Crescimento para o Futuro
Embora o número de escalas ainda seja considerado modesto, há uma percepção otimista sobre o potencial de crescimento de Rio Grande como destino de cruzeiros. Para se ter uma ideia, o Porto de Santos, o maior da América Latina, contará com 134 atracações na temporada 2025/2026, enquanto o Porto do Rio de Janeiro terá 112. Em contrapartida, Rio Grande ainda enfrenta limitações, principalmente pela falta de um terminal dedicado a passageiros, já que suas operações são prioritariamente voltadas a cargas.
A ampliação desse mercado dependerá de articulações com o governo do Estado e a administração portuária para construir uma infraestrutura voltada ao turismo de cruzeiros. Mesmo assim, a análise é de que a cidade possui atrações e logística adequadas para receber um número maior de visitantes, especialmente através da integração com Pelotas e outros municípios da Costa Doce, uma colaboração reforçada pela Associação de Municípios da Zona Sul (Azonasul). “O transatlântico é apenas o começo. Ele ajuda a colocar nossa cidade no mapa e a criar um ambiente propício para novos investimentos e desenvolvimento econômico relacionados ao turismo”, conclui Moraes.

