Uso Polêmico do Campo Olímpico de Golfe
O Campo Olímpico de Golfe, localizado no Rio de Janeiro, tornou-se o epicentro de uma controversa disputa entre a prefeitura e a empresa Tanedo, proprietária do terreno. De um lado, a administração municipal reclama do mau uso do espaço, enquanto a CRF Empreendimentos e Participações, responsável pela gestão do local, é acusada de desvirtuar a finalidade para a qual o campo foi criado, que é a promoção do golfe.
Imagens divulgadas nas redes sociais revelam que o gramado já foi palco de diversas atividades que vão além do esporte, como exposições de carros, passeios de helicóptero e até festas com fogos de artifício. Além destes eventos, o espaço tem sido oferecido para casamento, festas de 15 anos e outros tipos de celebrações, com anúncios que prometem um “ambiente deslumbrante e uma estrutura impecável”.
Transformações Polêmicas em Curso
Recentemente, obras começaram a transformar parte do campo em um novo espaço para o futebol, o que gerou ainda mais tensão entre as partes envolvidas. Um acordo estabelecido em 2018 entre a prefeitura e a CRF estipula que o local deve ser utilizado exclusivamente para o golfe, proibindo a utilização para outras atividades. Contudo, tanto a prefeitura quanto a Tanedo afirmam que essa cláusula não está sendo respeitada.
A prefeitura do Rio informou que a autorização de uso se encerrou em novembro e está solicitando a devolução do espaço. No momento, a gestão da CRF permanece em vigor por meio de uma liminar judicial, que o município busca contestar.
Irregularidades em Debate
Provas de possíveis irregularidades foram anexadas ao processo judicial. A Tanedo questiona a legalidade das obras do novo campo de futebol, alegando que estão ocorrendo alterações no traçado original e que há indícios de remoção de vegetação nativa. Alexandre Kingston, advogado da empresa, expressou preocupação: “As obras desse campo de futebol não apenas suprimem parte do campo, mas também apresentam sinais de impacto sobre a vegetação nativa. Chegamos a ter uma festa de réveillon com fogos dentro de uma área de proteção ambiental”, destacou.
Investigação em Andamento
A situação é ainda mais complicada pela figura de Carlos Favoreto, proprietário da CRF, que também preside a Fundação São Francisco de Assis, incumbida da gestão de recursos significativos em compensações ambientais no estado. A fundação atualmente está sob investigação do Ministério Público e do Tribunal de Contas devido a denúncias de possíveis irregularidades em contratos com o governo estadual, o que Favoreto nega veementemente.
Segundo a prefeitura e a Tanedo, há indícios de infrações ambientais e ocupação irregular de área pública. Para tentar recuperar o espaço e preservar o legado olímpico na cidade, um protocolo de intenções foi formalizado entre a empresa e a Confederação Brasileira de Golfe.
Defesa da CRF e Perspectivas Futuras
A CRF Empreendimentos, por sua vez, defende que todas as intervenções realizadas no Campo Olímpico de Golfe são autorizadas pelos órgãos competentes e estão em conformidade com o acordo de concessão. A empresa enfatiza que as melhorias são puramente operacionais e esportivas, focadas na manutenção, segurança e atendimento aos praticantes do golfe. Além disso, a CRF destaca que o campo é considerado uma referência internacional em qualidade e que receberá, pelo terceiro ano consecutivo, um dos mais importantes torneios de golfistas profissionais do mundo.

