O Clássico que Resiste ao Tempo
A obra “A pérola”, do renomado autor americano John Steinbeck (1902-1968), é o foco da resenha de Fedra Rodríguez. Segundo a crítica, a atemporalidade e a universalidade deste livro garantem seu lugar de destaque na literatura ocidental do século XX. Narrando a história de uma família indígena que se sustenta da pesca, a obra expõe de maneira contundente as mazelas coletivas e individuais diante da desigualdade e da ganância que permeiam a sociedade.
Entre os lançamentos da semana, destaca-se “A lanterna mágica”, uma autobiografia do icônico cineasta sueco Ingmar Bergman, e “O século nômade”, escrito por Gaia Vince, que aborda as migrações forçadas pela crise climática.
Em “A pérola”, a força narrativa de Steinbeck é evidente. A história gira em torno de Kino, Juana e seu filho Coyotito, que enfrentam a realidade cruel de uma sociedade que ignora as necessidades dos menos favorecidos. O livro foi originalmente publicado em 1947 pela Viking Press e traduzido para o português por Alfredo Barcellos Pinheiro de Lemos. Com 128 páginas, está disponível pela Editora Record por R$ 64,90.
Reflexões sobre Clássicos
Fedra Rodríguez destaca a importância de “A pérola” no contexto da crítica literária, mencionando as reflexões de Ítalo Calvino em “Por que ler os clássicos?” (1991). Calvino define clássicos como obras que oferecem inesgotáveis sentidos e interpretações, desafiando o leitor a revisitá-las ao longo do tempo. A obra de Steinbeck se encaixa perfeitamente nessa definição, revelando sua relevância e capacidade de dialogar com diferentes épocas.
A narrativa começa com um incidente que altera a vida da família. Coyotito é picado por um escorpião e, devido à pobreza extrema, seus pais não conseguem obter a ajuda médica necessária. O médico local, desdenhando a condição deles, recusa-se a prestar assistência, evidenciando o desprezo por aqueles que vivem à margem da sociedade. Este momento inicial revela a dura realidade da estratificação social e suas consequências devastadoras.
Uma Metáfora da Vulnerabilidade
O veneno do escorpião, conforme abordado por Steinbeck, torna-se uma metáfora poderosa. Em um primeiro nível, simboliza as fragilidades que afligem os protagonistas, colocando suas vidas em risco. No entanto, o veneno também reflete o descaso com a vida e os valores que sustentam a civilização. Steinbeck sugere que, em uma sociedade que valoriza mais o lucro do que a dignidade humana, a própria existência é frequentemente desconsiderada.
A busca por uma solução leva Kino a descobrir a pérola, que, à primeira vista, representa esperança e prosperidade. Contudo, como em outras obras do autor, a narrativa desvela que as expectativas podem se transformar em desilusões. A pérola, ao invés de trazer felicidade, desencadeia uma série de eventos trágicos, refletindo a complexidade da condição humana e a luta constante contra forças adversas.
Desdobramentos e Impacto Social
O desfecho da história não é apenas uma crítica às expectativas depositadas nas riquezas materiais, mas uma reflexão sobre a natureza da ambição e suas consequências. Assim como na obra “As vinhas da ira”, de Steinbeck, a trajetória da família é marcada por desafios e reveses que ecoam na realidade contemporânea. O leitor é convidado a perceber que as questões abordadas na narrativa ainda são pertinentes nos dias de hoje, fazendo ecoar a voz dos marginalizados e de suas lutas.
Além de “A pérola”, outros lançamentos também merecem destaque nesta semana. “A um passo de você”, de Jamie McGuire, traz a história de Darby Dixon, que enfrenta um dilema em seu dia do casamento. “O livro amarelo do terminal”, de Vanessa Barbara, investiga o cotidiano do Terminal Rodoviário Tietê, revelando as histórias de anônimos. A autobiografia de Bergman, “Lanterna mágica”, e a análise de Gaia Vince em “O século nômade” também prometem capturar a atenção dos leitores.

