A Lamentação de uma Grande Atriz
Regina Duarte, reconhecida por interpretar as icônicas Helenas de Manoel Carlos, expressou sua tristeza com a morte do autor que, por meio de suas obras, deixou uma marca indelével na teledramaturgia brasileira. ‘Maneco foi o pai das Helenas, das antagonistas perfeitas e filhas marcantes. Registrou em nós, amantes da teledramaturgia, um amor inexplicável pela realidade de tantas histórias’, afirmou em uma publicação nas redes sociais.
As Helenas, personagens memoráveis, são um verdadeiro testemunho da habilidade de Manoel Carlos em abordar temas profundos com sutileza. Uma de suas frases mais impactantes, ‘Dói, mas só até sangrar’, exemplifica como sua genialidade transcendeu as barreiras da tela. O autor, com sua ousadia e irreverência, se destacou como um verdadeiro poeta da televisão, nos levando a conhecer a beleza do Leblon e a emoção de suas narrativas.
Em sua homenagem, Regina Duarte acrescentou: ‘Vamos sentir sua falta e amar pra sempre o teu legado (1933 – 2026)’. A atriz não é a única a lamentar a perda; outras que viveram a experiência de interpretar Helenas também se manifestaram. Taís Araújo, por exemplo, que viveu a personagem em ‘Viver a Vida’ (2009), agradeceu ao autor por sua contribuição à teledramaturgia: ‘Obrigada por ter acreditado em mim e por ter me transformado. E, principalmente, obrigada por fazer o Brasil sonhar e ser mais bonito. Seu legado na teledramaturgia jamais será esquecido por todos nós ❤️’.
O Legado de Manoel Carlos
A confirmação do falecimento de Manoel Carlos, carinhosamente chamado de Maneco, ocorreu no último sábado (10), aos 92 anos. A triste notícia foi divulgada por meio de uma nota no perfil da produtora do autor, Boa Palavra. A família do dramaturgo anunciou que o velório será fechado, restrito a familiares e amigos íntimos, enquanto solicita respeito e privacidade nesse momento doloroso.
A trajetória de Manoel Carlos na televisão brasileira não foi convencional. Começou a trabalhar jovem, aos 14 anos, como auxiliar de escritório. Entretanto, sua paixão pela literatura e pelo teatro o levou a integrar os Adoradores de Minerva, um grupo que se reunia diariamente na Biblioteca Municipal de São Paulo. Esse grupo contava com nomes destacados, como Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Fábio Sabag, Flávio Rangel e Antunes Filho. Essa convivência e troca de ideias moldaram sua carreira, permitindo que ele se tornasse um dos autores mais respeitados da televisão.
O impacto de seu trabalho é indiscutível, e suas histórias continuam a ressoar no coração dos espectadores. A capacidade de Manoel Carlos em criar personagens femininas complexas e emocionalmente ricas deixou um legado potente, que será lembrado por muitas gerações.
O reconhecimento do talento de Manoel Carlos vai além dos elogios de suas atrizes. A sua habilidade em contar histórias que refletem a sociedade brasileira fez com que muitos telespectadores se vissem nas tramas que escreveu. Ele era um mestre em capturar a essência das relações humanas e os desafios da vida, tornando suas produções verdadeiramente atemporais.
Regina Duarte, com suas três interpretações de Helenas em ‘História de Amor’, ‘Por Amor’ e ‘Páginas da Vida’, é apenas uma entre muitas que tiveram suas carreiras transformadas pelo talento de Maneco. Ele não só moldou suas trajetórias, mas também ampliou os horizontes da teledramaturgia nacional.
Assim, a perda de Manoel Carlos representa um capítulo triste na história da televisão, mas seu legado viverá através de suas obras e das recordações de todos aqueles que tiveram a honra de trabalhar com ele. O vazio deixado por sua partida é profundo, mas suas histórias continuarão a emocionar e inspirar, mantendo viva a chama de sua genialidade.

