Ministério Público e Ação Judicial
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) tomou uma medida drástica e solicitou à Justiça a inclusão de João Ricardo Mendes na lista vermelha da Interpol. Ele é considerado foragido desde que a Justiça do Rio decretou sua prisão preventiva por descumprimento de medidas cautelares.
Um dos clientes prejudicados é o conselheiro tutelar Matheus Faria, que aguarda há dois anos a realização de sua lua de mel para Roma. Matheus compartilhou que a viagem tinha um valor simbólico, especialmente por se tratar de um desejo religioso. “Para mim e para minha esposa, era fundamental ir a Roma e receber a bênção do Papa”, declarou.
Ele relatou ter pago mais de R$ 4,5 mil pelo pacote adquirido com a Hurb, antiga Hotel Urbano. Diante da desconfiança do não cumprimento do contrato, Matheus decidiu buscar a Justiça. A empresa foi condenada a emitir os vouchers de viagem, sob pena de multa diária.
“A Hurb não cumpriu com essa determinação. E agora, como não existem mais vouchers, estamos pedindo para que os sócios assumam essa responsabilidade, principalmente o João”, explicou o advogado André Luís Oliveira, que representa o casal.
Descumprimento de Medidas e Prisões
João Ricardo Mendes foi preso pela primeira vez em abril do ano passado, em flagrante, após furtar obras de arte de um hotel e itens de um escritório de arquitetura. Quatro meses depois, sua prisão foi substituída por medidas cautelares, com o argumento de que sua saúde mental estaria comprometida. Entre as exigências, ele deveria se apresentar mensalmente à Justiça, não poderia deixar o estado do Rio de Janeiro por mais de 30 dias e precisava entregar relatórios médicos mensais.
No entanto, segundo o Ministério Público, João Ricardo não cumpriu essas determinações. Recentemente, ele enfrentou mais um revés quando foi preso por um dia em Jericoacoara, no Ceará, enquanto tentava embarcar para São Paulo. As investigações revelaram que ele estava utilizando um documento falso e que a tornozeleira eletrônica estava descarregada.
Após uma audiência de custódia, João foi solto, mas na quarta-feira (7), a Justiça do Rio decidiu pela sua prisão novamente. O juiz que analisou o caso afirmou: “É evidente que a liberdade do acusado gera risco concreto à ordem pública, fato que justifica o seu retorno à cadeia”. Assim, João Ricardo passou a ser considerado foragido.
Medidas do Ministério Público e Consequências
Como parte das ações, o MPRJ pediu a inclusão do ex-CEO da Hurb na lista vermelha da Interpol e o bloqueio de seu passaporte. Além disso, nesta sexta-feira (9), o Ministério do Turismo anunciou que o cadastro da Hurb foi cancelado desde abril de 2025, devido ao descumprimento de leis. O Procon-RJ também destacou que recebeu mais de 8 mil reclamações sobre a empresa nos últimos quatro anos, resultando na cassação do alvará de funcionamento.
Pronunciamento da Defesa
A defesa de João Ricardo Rangel Mendes declarou que não se manifestará sobre o pedido do MPRJ para incluir seu nome na lista vermelha da Interpol até que a Justiça tome uma decisão a respeito. Em relação aos outros questionamentos, a defesa optou por não comentar.

