Novos Rumos no Julgamento dos Desfiles
Pela primeira vez, o Carnaval 2026 contará com duas cabines de jurados dispostas uma em frente à outra, localizadas nos setores 6 e 7 da Sapucaí. Essa inovação exige que as escolas de samba apresentem os quesitos, como comissão de frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, em 360 graus. A ideia é não apenas permitir que os jurados vejam as apresentações de diferentes ângulos, mas também ampliar a experiência do público, que poderá apreciar o espetáculo de uma forma mais completa.
A proposta da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) visa tornar os desfiles mais dinâmicos, reduzindo paradas e aumentando a fluidez das apresentações. Essa mudança impacta diretamente o trabalho dos casais de mestre-sala e porta-bandeira, que historicamente se prepararam para evitar estar de costas para os jurados. Rute Alves, porta-bandeira da Viradouro e vencedora do Estandarte de Ouro 2025, enfatiza que o novo formato exige uma reavaliação das técnicas que definiram sua carreira ao longo de 30 anos.
“Neste Carnaval de 2026, vou completar 30 anos como porta-bandeira. A orientação sempre foi não ficar de costas para os jurados, algo que se tornou uma prática habitual entre nós. Com essa mudança, não há como evitar essa posição em algum momento”, comenta Rute, ressaltando que as orientações da comissão de jurados têm ajudado a reduzir a insegurança durante os ensaios.
Mudanças na Coreografia e na Preparação
Rute também explica que a adaptação começou logo na fase de concepção do desfile, logo após a escolha do samba. “Hoje, a preocupação é diferente. Não existe mais aquela tensão em olhar para um único lado específico. Tudo precisa ser pensado para ser visto em 360 graus: a inclinação do corpo, o olhar, a intenção. A coreografia já foi desenvolvida com essa nova perspectiva, desde a entrada na cabine até a apresentação do pavilhão”, detalha.
O coreógrafo da comissão de frente da Mocidade Independente de Padre Miguel, Marcelo Misailidis, acredita que essa mudança é um resgate da essência do desfile como um espetáculo popular. “A cabine espelhada é uma iniciativa acertada da Liesa para democratizar a apreciação das grandes apresentações. Isso evita que o espetáculo seja exclusivo para o público próximo às cabines de jurados, promovendo uma valorização do carnaval como um evento acessível a todos”, afirma Misailidis.
Impactos na Evolução do Desfile
André Bonatte, diretor de Carnaval da Imperatriz Leopoldinense, uma das escolas que apoiou prontamente a ideia, destaca que a nova configuração também impacta a construção dos desfiles e a evolução na pista. “A Imperatriz foi uma das grandes entusiastas dessa mudança. Isso democratiza a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira, assim como da comissão de frente, que agora se apresentarão em 360 graus, abrangendo todas as áreas da Sapucaí”, explica Bonatte.
Ele ainda observa que, em 2025, para receber quatro avaliações, a escola precisou realizar quatro paradas, o que acabou comprometendo o ritmo do desfile. “As primeiras apresentações ocorreram de forma mais lenta. Agora, com apenas três paradas, a evolução será mais equilibrada, e a cabine espelhada certamente contribuirá para isso”, afirma.
Para o presidente da Liesa, Gabriel David, essa mudança é resultado de intensos estudos e diálogos com os profissionais envolvidos no Carnaval. “Com a cabine espelhada, mais pessoas poderão acompanhar os momentos-chave do desfile, como as apresentações da comissão de frente e do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Essa iniciativa surgiu após um profundo diálogo com os profissionais, que se mostraram abertos ao desafio”, conclui.
Os desfiles do Grupo Especial para o Carnaval 2026 acontecerão em três noites, marcadas para os dias 15, 16 e 17 de fevereiro. O público poderá prestigiar as apresentações das escolas, que prometem ser ainda mais emocionantes e acessíveis.

