Análise do Cenário Político Carioca
Com a chegada de 2026, o Brasil observa atentamente as movimentações políticas que ocorrem no Rio de Janeiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou pelo Forte de Copacabana para as comemorações de Ano Novo, um gesto simbólico que manifesta a importância do estado para a política nacional. Este evento é um dos raros momentos em que Lula celebrou na capital fluminense em anos recentes, refletindo sua estratégia ao de olho nas próximas eleições.
O Rio de Janeiro, historicamente um termômetro político, continua a ser um reduto do bolsonarismo, uma situação que se consolidou com os últimos eventos na política local. Para o Partido dos Trabalhadores (PT), garantir uma posição forte neste cenário é vital para a disputa eleitoral que se aproxima.
Enquanto isso, o Partido Liberal (PL) intensifica suas estratégias, especialmente após a saída de Rodrigo Bacellar (União Brasil) da presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em decorrência da Operação Unha e Carne. Bacellar, que antes era aliado do governador Cláudio Castro, viu sua relação se deteriorar, levando a um embate que resultou em quatro comissões parlamentares de inquérito contra o governo antes de seu afastamento.
A Operação Unha e Carne impôs um obstáculo significativo a essa batalha interna, e com a saída de Bacellar, Guilherme Delaroli (PL) assumiu a presidência da casa legislativa, fortalecendo a influência do PL tanto no legislativo quanto no executivo.
O Fortalecimento do Bolsonarismo
Esse contexto tem se mostrado favorável ao bolsonarismo no estado, a ponto de se já cogitar a possibilidade de o PL eleger dois senadores no Rio. O governador Cláudio Castro, por sua vez, deverá se desincompatibilizar em março ou abril, preparando o terreno para uma eleição indireta na Alerj que pode colocar Nicola Miccione, seu secretário da Casa Civil, como seu sucessor.
Dados de pesquisas internas do PL indicam que Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem chances de chegar ao segundo turno na disputa presidencial. Essa perspectiva garante um palanque forte para Flávio nos estados, aumentando sua capacidade de fortalecer a bancada do PL na Câmara dos Deputados e no Senado, e assim promover uma agenda de direita no Parlamento.
Além disso, a segunda vaga para o Senado no Rio pode ser ocupada por um bolsonarista raiz, com Hélio Negão (PL) sendo o nome mais cotado para essa posição. A disputa parlamentar, neste cenário, é tão crucial quanto a eleição presidencial, definindo a amplitude da agenda de direita.
Os Desafios do PT com Eduardo Paes
No campo da esquerda, o PT tem investido suas fichas na candidatura do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSB), que se apresenta como pré-candidato à sucessão estadual. Paes, apoiado por Lula e pelo PT, é, até agora, o único nome que se destaca com uma estrutura partidária sólida e uma base política consolidada.
No entanto, essa candidatura enfrenta críticas que ressaltam que Paes opera em um círculo muito fechado e que seu desempenho em eleições passadas foi fraco na reta final, resultando em derrotas significativas. Sua influência, por ora, se restringe à cidade do Rio de Janeiro, com um alcance limitado no restante do estado. Isso gera preocupações sobre como a ascensão de outros candidatos pode fragmentar os votos e dificultar sua jornada rumo ao segundo turno.
As alianças que Paes busca também revelam vulnerabilidades. Na Baixada Fluminense, seu aliado Washington Reis (MDB) lida com problemas jurídicos significativos, incluindo uma condenação em um caso de crime ambiental. Recentemente, Paes tentou uma aliança com a família Garotinho em Campos dos Goytacazes, uma manobra que pode tanto angariar apoio quanto causar resistência, considerando a complexa história política da família na região.
Um Jogo Político Intricado
O panorama político para 2026 no Rio de Janeiro configura-se como um intricado jogo de xadrez. De um lado, o bolsonarismo avança, explorando o descontentamento popular e solidificando suas bases. Do outro, o PT e seus aliados procuram se reestruturar em torno de líderes como Eduardo Paes, que, apesar de seu impacto na capital, precisa ampliar seu apelo e superar obstáculos internos e externos em um estado que se mostra cada vez mais polarizado.
A eleição no Rio de Janeiro promete ser um termômetro crucial para a política nacional, e seus desdobramentos certamente terão repercussões que ultrapassam as fronteiras do estado, moldando os futuros rumos da política brasileira.

