Desdobramentos Políticos no Rio de Janeiro
RIO DE JANEIRO, RJ – O prefeito Eduardo Paes (PSD) reafirmou em suas declarações que concluirá seu quarto mandato apenas em 2028. Contudo, no cenário político de 2025, ele começou a ser chamado de ‘mentiroso’ por um aliado em tom jocoso, o que revela um crescente reconhecimento nos bastidores sobre sua intenção de deixar o cargo. Nos próximos meses, espera-se que Paes inicie sua candidatura ao Governo do Rio de Janeiro, mergulhando em um contexto marcado por incertezas e articulações políticas fervorosas.
Assim como se especula sobre a iminente renúncia do governador Cláudio Castro (PL) – que pode se candidatar ao Senado –, as movimentações políticas ganham novos contornos. Esse fenômeno ocorre em meio a investigações da Polícia Federal que somam mais elementos de incerteza ao cenário político da região.
Preparativos para a Transição
Durante 2024, Paes já começou a preparar a transição de poder para o vice-prefeito, Eduardo Cavaliere (PSD). O prefeito busca assegurar a seus aliados que não haverá rompimentos abruptos com a mudança, participando de importantes discussões que visam a composição da nova gestão. Sua estratégia é garantir uma transição tranquila, que não comprometa a continuidade de projetos e políticas municipais.
Os sinais de sua futura candidatura são cada vez mais evidentes. O prefeito tem investido na promoção das ações do município voltadas para a segurança pública, um dos principais temas de sua futura campanha. Recentemente, anunciou a construção de terminais de corredores de ônibus que beneficiarão os moradores da Baixada Fluminense, um eleitorado estratégico que Paes tem buscado conquistar.
Imagens que Falam Mais que Palavras
Outra mudança notória foi o uso de um chapéu de vaqueiro em suas visitas ao interior, contrastando com o tradicional chapéu panamá que costuma usar em eventos no Rio de Janeiro. Nas redes sociais, o prefeito também se esforçou para mostrar uma conexão com a população, compartilhando imagens do Réveillon, incluindo vídeos das praias da Região dos Lagos.
Aliados e Negociações Políticas
Nos bastidores, Paes também tem conversado com o MDB e o PP, buscando formar uma coalizão com siglas que atualmente fazem parte da aliança de Castro. O intuito é expandir sua influência no interior do estado e, ao mesmo tempo, tentar dissociar sua imagem da do presidente Lula e do PT em uma região que favorece a tendência bolsonarista. Rogério Lisboa (PP), ex-prefeito de Nova Iguaçu, é um nome cogitado para ser seu vice, mas a definição dessa chapa deve ocorrer apenas em meados do ano.
Incertezas na Sucessão Governamental
As investigações em torno do deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil) adicionaram uma camada extra de complexidade ao cenário político. Bacellar, afastado do cargo pelo STF, era um dos principais nomes considerados pela aliança governista como potencial sucessor de Castro. Sua saída do cenário político abre espaço para discussões sobre quem poderá assumir o governo em um possível cenário de renúncia.
Enquanto isso, Paes observa as movimentações, mas se mantém cauteloso em relação à apresentação de um nome para a sucessão. Embora o secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, seja visto como o candidato preferido por Castro, muitos acreditam que ele representa uma transição sem ambições, o que levanta desconfianças entre aliados.
Delegação de Poder e Ato Falho
Em sua rotina, Paes tem delegado cada vez mais responsabilidades ao vice-prefeito, que se destaca nos principais anúncios da prefeitura, criando uma dinâmica de continuidade até a mudança oficial de comando. Um evento marcante foi a apresentação do Plano Estratégico 2025-2028, coordenado por Cavaliere. Durante a divulgação, Paes cometeu um ato falho, mencionando a perda do título de “prefeito mais jovem da história do Rio” para Cavaliere, o que ele tentou minimizar alegando que o vice assumiria temporariamente em sua ausência.
Expectativas dos Aliados
Aliados de Paes acreditam que essa fase de transição não trará desgaste à sua imagem. O prefeito, em 2024, prometeu publicamente que não renunciaria para se candidatar, o que, segundo eles, é um indicativo do desejo do eleitorado em vê-lo na corrida pelo governo, especialmente em um momento crítico, marcado por crises financeiras e de segurança pública no estado.

