Perspectivas Promissoras com o Acordo Comercial
No próximo sábado, representantes dos blocos Mercosul e União Europeia se reunirão no Paraguai para formalizar um importante acordo de livre comércio. Este momento decisivo é visto com otimismo pelos setores exportadores da economia brasileira, que começam a explorar as oportunidades e desafios que esse pacto pode trazer.
Entre os setores que se destacam nesse novo cenário, as frutas brasileiras estão em destaque, com potencial para expandir significativamente sua presença nos mercados europeus. Vale lembrar que a Europa é o principal destino das exportações brasileiras, mas a concorrência é acirrada com países que não enfrentam tarifas, como é o caso da uva.
Com a assinatura do acordo, a alíquota de 11% sobre a uva será eliminada, embora a implementação de isenções para outras frutas como abacate, limão, melão e melancia levará mais tempo. A maçã, por exemplo, terá um prazo de isenção de até dez anos.
Luiz Roberto Barcelos, diretor da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), destacou a importância desse acordo. Segundo ele, embora o Brasil tenha uma produção significativa, o volume exportado ainda é baixo. “Um dos problemas enfrentados sempre foi a questão da tarifação. Com a remoção dessas barreiras, a entrada dos nossos produtos no mercado europeu se tornará mais fácil”, afirmou Barcelos.
O Agronegócio Brasileiro no Cenário Internacional
Além das frutas, especialistas apontam que o agronegócio brasileiro pode se beneficiar de forma ampliada. O Brasil já se destaca na exportação de grãos e carnes, e o novo acordo pode abrir portas para o desenvolvimento de produtos agrícolas mais sofisticados, como queijos, destilados – a exemplo da cachaça – e azeites.
Marcos Jank, professor de agronegócio global do Insper, destaca que o Brasil pode aprender com a expertise europeia. “Os europeus têm marcas consolidadas, padrões reconhecidos e denominações de origem. Precisamos desenvolver isso no Brasil para diversificar nossa pauta exportadora. Essa integração pode nos ajudar a construir mercados de valor agregado pelo mundo afora”, argumenta Jank.
Indústria Têxtil: Uma Nova Era de Cooperação
Na esfera da indústria, o setor têxtil também prevê um cenário promissor com o acordo. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), os custos para a importação de máquinas e equipamentos devem diminuir, o que potencializa novos investimentos.
Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit, explica que, atualmente, mais de 80% dos investimentos feitos nesse setor são direcionados à aquisição de equipamentos importados. “Quando você investe em tecnologia com o intuito de aumentar a produção, a produtividade também se beneficia”, salienta Pimentel.
Com essas mudanças, o Brasil se posiciona frente a novas oportunidades que podem não apenas fortalecer a economia interna, mas também ampliar seu alcance no mercado internacional. A expectativa é que, ao longo dos meses, o acordo se torne uma realidade, trazendo benefícios que vão além das fronteiras.

