Exportações em Alta
O comércio entre Brasil e China atingiu um novo patamar, superando a marca de US$ 170 bilhões, conforme revelado pelo mais recente relatório do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Nesse contexto, as exportações brasileiras para o país asiático alcançaram a cifra expressiva de US$ 100 bilhões, tornando-se a segunda maior na série histórica que se iniciou em 1997. Esse aumento se deve, principalmente, ao crescimento das vendas de soja, que representaram cerca de um terço do total exportado para a China, registrando um acréscimo de 10% em relação ao ano anterior.
A performance das exportações ocorre em meio a um cenário de crescente tensão nas relações comerciais globais. No ano passado, as taxas elevadas impostas pelos Estados Unidos levaram o Brasil a buscar diversificação em seus mercados, reduzindo as vendas para os americanos e intensificando os negócios com os chineses. É importante lembrar que a China chegou a suspender temporariamente a compra de soja dos EUA, como resposta às tarifas aplicadas por Donald Trump.
Desafios nas Relações com os EUA
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), as exportações do Brasil para os Estados Unidos caíram para US$ 37,72 bilhões em 2025, uma redução de 6,6% comparado ao ano anterior. Isso representa uma perda de mais de US$ 2,6 bilhões em um dos principais mercados para os produtos brasileiros. Segundo Tulio Cariello, diretor de conteúdo do CEBC, as tarifas estabelecidas por Trump ampliaram o déficit comercial entre Brasil e Estados Unidos, uma vez que poucos produtos conseguiram compensar a perda de competitividade no mercado americano.
Cariello enfatiza que, apesar de um esforço para redirecionar as exportações – como o aumento das vendas de café para a China -, as diferenças nas pautas exportadoras dificultam uma compensação significativa. Enquanto o Brasil concentra suas exportações para a China em produtos agrícolas e da indústria extrativa, para os EUA, a variedade é maior, com cerca de 80% das exportações sendo compostas por bens da indústria de transformação.
Crescimento das Importações e Seu Impacto
Outro aspecto a ser considerado é o aumento significativo nas importações brasileiras provenientes da China, que atingiram um recorde de US$ 70,9 bilhões no último ano, com um crescimento de 11,5% em relação a 2024. Esse aumento é impulsionado pela compra de um navio-plataforma para exploração de petróleo, além de importações de carros elétricos híbridos, fertilizantes e produtos químicos. Medicamentos e insumos farmacêuticos também tiveram um aumento, tornando a China o quarto maior fornecedor do Brasil neste setor.
A China como Principal Parceiro Comercial
O comércio exterior brasileiro está cada vez mais dependente da China, que hoje representa 27,2% do total das transações comerciais do Brasil, que somam US$ 629 bilhões, um incremento de 4,9%. A China continua a ser o principal destino das exportações brasileiras, superando até mesmo os parceiros tradicionais, como os Estados Unidos, cujas compras caíram 6,6%. Além disso, mercados como Argentina e Índia têm registrado crescimento acelerado nas importações brasileiras, com aumentos de 31,4% e 30,2%, respectivamente, no último ano.
Para Cariello, a diversificação das exportações brasileiras, especialmente com a venda de carnes e outros produtos para o Sudeste Asiático, é um sinal positivo que pode reduzir a dependência do Brasil em relação à China. O crescimento da classe média e a demanda por alimentos nesses países podem, nos próximos anos, direcionar ainda mais o comércio brasileiro para a região asiática.

