Desafios Enfrentados pelos Cariocas em Tempos de Calor Intenso
As altas temperaturas das últimas semanas no Rio de Janeiro têm causado sérios transtornos à população, resultando em noites mal dormidas e rotinas profundamente alteradas. Com o calor insuportável, muitos cariocas se veem obrigados a buscar soluções alternativas, como dormir na varanda ou até mesmo nos telhados de suas casas.
A situação é ainda mais crítica para aqueles que residem em áreas vulneráveis, onde o desconforto térmico é amplificado pela falta de infraestrutura. Além do calor extremo, os moradores têm enfrentado uma combinação preocupante de problemas, incluindo a falta de água e interrupções no fornecimento de energia elétrica.
Na última segunda-feira (12), o estado do Rio registrou nove das dez cidades mais quentes do Brasil, com temperaturas chegando a quase 36°C na capital. A combinação de calor intenso e quedas de energia deixou muitos sem opções para se refrescar, levando a relatos de pessoas dormindo ao relento.
Marcello Barreto, um morador do Méier, descreve sua experiência ao ser forçado a dormir no telhado por conta da temperatura desagradável. Ele relata: “Estava muito quente dentro de casa, e precisava dormir cedo. Acabei dormindo em um tapete no terraço. A energia só voltou por volta das 4h30, mas mesmo assim, não consegui descansar bem naquela noite.” Para tentar amenizar o calor, ele frequentemente se molhava com água de uma mangueira antes de voltar a se deitar.
Outro relato vem de um morador em Austin, Nova Iguaçu, que também encontrou abrigo na varanda. “Viver nesse calor é horrível, especialmente em um lugar que esquenta tanto,” desabafa. A falta de água é um problema recorrente em diversas regiões, incluindo Santa Cruz, onde os moradores da Rua Justino de Assis estão há cinco dias sem abastecimento. “Estamos nos virando como podemos, comprando água com caminhões-pipa e galões,” lamenta um morador que preferiu não se identificar. “E quando a água chega, é de madrugada, obrigando a gente a acordar para encher os reservatórios.”
No Complexo do Alemão, a situação não é diferente. Moradores de pelo menos cinco comunidades relatam problemas constantes com abastecimento desde o início do ano, enfrentando a falta de energia elétrica e água. Diante dessa realidade, a rua se torna um refúgio, pois as casas estão sem condições de oferecer alívio.
A Rio+Saneamento, em resposta a questionamentos sobre a falta d’água em Santa Cruz, informou que equipes estão trabalhando para entender e resolver o problema. A concessionária comentou: “Devido às altas temperaturas e ao consumo excessivo, podem ocorrer algumas demandas no abastecimento, as quais são monitoradas e tratadas.”
Por outro lado, a Águas do Rio explicou que a escassez de água nas áreas mencionadas é resultado da redução na produção no Sistema Guandu, gerido pela Cedae, afetando o fornecimento em diversas partes da cidade. A empresa prometeu enviar equipes para verificar situações específicas na quarta-feira (14) e buscar soluções para os problemas enfrentados.

