Aumento das Aprovações de Crédito do BNDES
O crédito aprovado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para projetos de biocombustíveis cresceu de R$ 4,3 bilhões em 2024 para impressionantes R$ 6,4 bilhões em 2025. Esse novo patamar representa o maior nível já registrado na série histórica da instituição, considerando valores nominais, ou seja, sem ajustes pela inflação. Antes disso, o recorde era de R$ 4,8 bilhões, alcançado em 2010.
Segundo informações fornecidas pelo banco, as operações de crédito contemplam uma ampla gama de investimentos em biocombustíveis, que vão desde a instalação de unidades fabris até o desenvolvimento de novas tecnologias para a produção desse tipo de energia renovável. É importante ressaltar que a aprovação do crédito é apenas o primeiro passo antes do efetivo desembolso dos recursos.
Inovação e Expansão no Setor de Biocombustíveis
José Luis Gordon, diretor de desenvolvimento produtivo, inovação e comércio exterior do BNDES, comentou sobre a evolução do setor, afirmando: “É um setor que está indo além do tradicional. Está desenvolvendo tecnologia, fazendo expansão. Está se modernizando.” O destaque entre os projetos financiados pelo banco tem sido o etanol de milho. Recentemente, o BNDES anunciou a aprovação de R$ 950 milhões para a Inpasa Agroindustrial construir a sua sexta biorrefinaria no Brasil, que terá capacidade para produzir etanol a partir da moagem de milho, sorgo e outros grãos em Luís Eduardo Magalhães, localizado no oeste da Bahia, a aproximadamente 950 km de Salvador.
Fatores que Contribuem para o Crescimento do Financiamento
Gordon atribui o aumento na aprovação de crédito a uma combinação de fatores, que incluem o grande potencial do Brasil na área de biocombustíveis, a agenda verde da política industrial do governo Lula (PT) e o fortalecimento dos recursos do Fundo Clima, que garante parte dos empréstimos. O diretor explica que o BNDES adota uma abordagem de “blend” ao financiar investimentos, misturando as taxas de juro de mercado com condições específicas do fundo.
Embora o diretor evite prever qual será o volume de aprovações de crédito para 2026, ele ressalta que o setor continua a crescer e que o BNDES está comprometido em apoiar iniciativas que se apresentem. Desde 2023, o banco já aprovou financiamentos para biocombustíveis totalizando R$ 13,3 bilhões. Esse montante representa um crescimento expressivo de 204% em relação aos R$ 4,4 bilhões registrados entre 2019 e 2022, período em que Jair Bolsonaro ocupou a presidência.
Perspectivas e Desafios no Financiamento de Energia Limpa
O governo Lula defende uma atuação mais robusta do BNDES no financiamento de diferentes setores da economia. No entanto, essa posição é recebida com ceticismo por alguns economistas, que expressam preocupações sobre um possível inchaço das operações e a repetição de ideias dos mandatos anteriores do PT. A direção do BNDES já se manifestou em defesa de sua estratégia em diversas ocasiões, enfatizando que o banco foca em áreas consideradas estratégicas, como energia limpa e inovação.
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, afirmou: “O governo do presidente Lula retomou o apoio à produção de biocombustíveis no país a partir de 2023, pois isso representa um passo estratégico do Brasil no enfrentamento às mudanças climáticas.” Ele complementa que, ao financiar energia limpa e renovável, o BNDES ajuda a fortalecer a indústria nacional, reduz as emissões e posiciona o país como um líder na transição energética justa e sustentável.
Entretanto, apesar das boas notícias em relação aos investimentos, a corrida por energia limpa enfrenta desafios no Brasil. Um dos principais obstáculos é o impacto que a construção de projetos, como parques eólicos, pode ter em regiões distantes dos grandes centros urbanos.

