Encontro Estratégico de Líderes
No dia que antecede a assinatura do aguardado acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontra no Rio de Janeiro com líderes da UE. O evento, marcado para ocorrer na próxima sexta-feira (17), em Assunção, Paraguai, já é encarado como um passo importante para reforçar a posição do Brasil como o principal negociador do tratado.
A expectativa é que uma declaração conjunta seja divulgada após o encontro, com o objetivo de ratificar o anúncio político do tratado em solo brasileiro. Para a diplomacia brasileira, esta reunião possui um significado que supera a própria cerimônia em Assunção, onde o presidente busca assegurar uma ‘foto da vitória’ ao lado das principais autoridades europeias.
Ademais, essa estratégia visa evitar que Lula divida o palco com o presidente argentino, Javier Milei. Apesar de Milei e outros líderes da região, como os presidentes do Uruguai e do Paraguai, confirmarem presença na cerimônia, o Brasil será representado apenas pelo chanceler Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores.
Minimização da Ausência de Lula
O governo brasileiro tem trabalhado para minimizar a ausência de Lula no evento de sábado, apontando que a participação do chanceler é suficiente. O discurso oficial critica ainda o que chamam de ‘movimento político’ do Paraguai, que, segundo Brasília, tentará elevar a importância do encontro a um nível de chefes de Estado na última hora.
O Itamaraty acredita que a competência dos chanceleres é adequada para a formalização do acordo e que o ato em Assunção será apenas uma formalidade após a declaração previamente acordada entre os líderes.
Costuras Diplomáticas com a Itália
A concretização do acordo entre Mercosul e União Europeia também envolveu tratativas importantes com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Fontes governamentais revelam que, em uma ligação feita no final de 2025, Meloni expressou a Lula estar enfrentando um ‘embaraço político’ relativo aos agricultores italianos e solicitou paciência ao presidente brasileiro.
Esse pedido de adiamento foi crucial, pois permitiu que o governo italiano se alinhasse a nações como Alemanha e Espanha, conseguindo desarticular a resistência da França, representada pelo presidente Emmanuel Macron, e garantindo que o texto do acordo estivesse pronto para assinatura esta semana.
O Maior Acordo Comercial do Mundo
Em uma entrevista à GloboNews, o chanceler Mauro Vieira destacou a magnitude do acordo, considerando-o o maior do mundo, com a integração de 720 milhões de habitantes entre os dois blocos econômicos, representando cerca de 15% do PIB global. “Esse acordo é fundamental, é considerado o maior do mundo e, se não for, é um dos maiores. Estamos unindo regiões com fortes laços históricos, culturais e comerciais”, afirmou Vieira.
O chanceler também ressaltou a importância do grupo criado pela união dos dois blocos, que desperta o interesse de outras nações em potencial para estreitar laços comerciais com o Brasil. “Dentre os sete membros do G7, três pertencem à União Europeia e participarão desse acordo. Outros três, Japão, Canadá e Reino Unido, que não são da UE, já demonstraram interesse em negociações comerciais com o Brasil”, acrescentou.
Apesar das críticas enfrentadas durante as negociações finais, Vieira defende que o acordo trará benefícios mútuos. Ele garantiu que o tratado possibilitará a importação de bens de capital mais eficientes, além da exportação de produtos manufaturados para a União Europeia. “As análises indicam que o acordo é vantajoso para ambos os lados”, concluiu.

