Impulsão do Turismo Sustentável
Pernambuco está em processo de consolidar um novo vetor de desenvolvimento sustentável: o turismo de observação de aves. Com suas paisagens que variam da Mata Atlântica à Caatinga, além de áreas de transição ecológica, regiões como Gravatá, Caruaru, Garanhuns, Sertão do Moxotó e Vale do Catimbau se destacam pela diversidade ambiental. Esta riqueza natural agora ganha destaque em um edital da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Semas), que visa fomentar o Turismo de Observação de Vida Silvestre (TOVS).
A proposta, aprovada pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema/PE), destina R$ 500 mil para desenvolver roteiros turísticos, capacitar guias e lançar o primeiro guia de aves do estado. Essa iniciativa é uma resposta a um mercado em crescimento, onde o birdwatching, ou avistamento de aves, está em franca expansão no Brasil e no mundo. O público busca experiências autênticas, valorizando a natureza preservada e práticas de baixo impacto ambiental.
Ao contrário do turismo convencional, o aviturismo atrai visitantes durante o ano todo e beneficia regiões que muitas vezes estão fora do litoral. Isso gera oportunidades para comunidades locais atuarem como guias, artesãos, anfitriões e prestadores de serviços, diversificando a economia regional.
Oportunidades no Agreste e Sertão
O Agreste e o Sertão de Pernambuco estão bem posicionados para aproveitar essa tendência crescente. A região já conta com uma rede hoteleira estabelecida, áreas naturais preservadas próximas a centros urbanos e uma infraestrutura rodoviária adequada que conecta diferentes biomas. Essas condições favorecem o desenvolvimento de roteiros integrados e experiências completas para os turistas que buscam contato com a natureza.
O lançamento do edital coloca Pernambuco em um contexto nacional de estruturação do turismo de natureza. Em abril de 2025, a Embratur e o Ministério do Turismo anunciaram a criação da Associação Nacional do Turismo de Observação de Vida Silvestre. A entidade terá a missão de articular políticas, operadores e destinos em todo o país, e Pernambuco é representado por Ludmila Portela, diretora da Aviva Ecoatividades.
“Estamos em um momento estratégico para o estado. Possuímos uma avifauna rica e biomas únicos. Com o edital estadual e a articulação em nível nacional, estamos abrindo espaço para transformar esses ativos em desenvolvimento territorial com foco na conservação”, destacou Ludmila Portela.
Congresso Nacional de Observação de Aves
O fortalecimento dessa nova identidade para Pernambuco será consolidado em abril de 2026, quando o Recife sediará o Avistasse?! – I Congresso Pernambucano de Observação de Aves. Este evento, que ocorrerá nos dias 17, 18 e 19, reunirá observadores, pesquisadores, gestores públicos e operadores turísticos de diversas regiões do Brasil.
O congresso não apenas apresentará destinos e promoverá capacitações, mas também buscará posicionar Pernambuco no circuito nacional e internacional do aviturismo. “O Avistasse?! marca a entrada de Pernambuco nos grandes eventos do setor, tendo um impacto direto na visibilidade do destino e no aumento do fluxo de visitantes”, frisou Ludmila.
Enquanto as políticas públicas se desenvolvem, empreendimentos locais já começam a se adaptar ao turismo de observação. Em Pesqueira, no Agreste, a Arawi Pousada se destaca como a primeira a criar um projeto dedicado ao birdwatching. Em parceria com a Aviva Ecoatividades, a pousada está mapeando a avifauna local e ajustando seus serviços para atender o público observador.
Diversidade Ecológica e Oportunidades Econômicas
A diversidade ecológica do interior pernambucano é um diferencial competitivo valioso. Gravatá, por exemplo, abriga brejos de altitude e zonas de transição com a Caatinga, permitindo a observação de espécies típicas de diferentes biomas. Caruaru possui o Parque Natural Serra dos Cavalos, que protege fragmentos da Mata Atlântica. Já Garanhuns é vizinha da Reserva Biológica Pedra Talhada, um dos maiores redutos de biodiversidade do Nordeste.
No Sertão, o Vale do Catimbau oferece um cenário único de cânions e formações rochosas, com aves adaptadas às condições extremas da região, tornando-se um atrativo turístico significativo.
Com a aprovação do edital e a realização de eventos estruturantes, Pernambuco está dando passos importantes para estabelecer uma nova vertente econômica que se concentra na observação da vida silvestre. “Este não é um movimento passageiro. O turismo de natureza é um caminho sólido para geração de renda, conservação ambiental e valorização cultural. Pernambuco tem tudo para se tornar um dos principais destinos brasileiros de birdwatching”, conclui Ludmila Portela.

