A Mudança de Rumo na Política do Rio
Na sua primeira disputa pelo governo do Rio de Janeiro, em 2006, Eduardo Paes era considerado um azarão. O que lhe conferia alguma notoriedade na época era sua atuação na CPI dos Correios, quando era deputado federal. Terminou a corrida eleitoral em quinto lugar, longe do sonho de chegar ao Palácio Guanabara.
Na sua segunda tentativa, em 2018, Paes entrou como favorito, mas foi surpreendido por Wilson Witzel, um ex-juiz que até então era pouco conhecido no cenário político. Esse revés, no entanto, não é o único elemento que une suas duas campanhas: em ambas, o fator comum foi o seu desalinhamento com o Partido dos Trabalhadores (PT). Uma relação marcada por tensões pode ter um novo desfecho em sua terceira tentativa.
Duas décadas atrás, Paes era um opositor explícito do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Naquela época, o PT lançou Vladimir Palmeira como candidato ao governo do Rio. Após a campanha de 2006, Paes aceitou ser secretário do governador eleito Sérgio Cabral, que lhe ofereceu uma nova oportunidade em 2008 ao colocá-lo na disputa pela prefeitura da cidade.
Para conquistar o apoio de Lula, Paes precisou se desculpar publicamente por ter chamado o petista de “chefe da quadrilha” durante o escândalo do mensalão. Ele também tentou incluir o empresário Fábio Luís, conhecido como Lulinha, entre os alvos do relatório final da CPI dos Correios. Essas manobras mostram como Paes buscava reverter uma imagem negativa para fortalecer sua base de apoio.
Em 2018, com a Operação Lava Jato em seu auge e Lula preso, Paes decidiu manter distância do PT ao se candidatar novamente ao governo do Rio. O partido, por sua vez, lançou a filósofa Márcia Tiburi como sua representante no estado. Sem demonstrar interesse em contar com o apoio petista, Paes apostou suas fichas em uma aproximação com Jair Bolsonaro, então candidato à presidência, a quem descreveu como uma “pessoa muito equilibrada e de muito diálogo”.
Os acenos de Paes a Bolsonaro aumentaram à medida que o ex-deputado se firmava como favorito nas pesquisas eleitorais. Contudo, a onda bolsonarista favoreceu Witzel, que conseguiu se aproximar do discurso do então presidenciável e, consequentemente, saiu vitorioso nas urnas. A derrota de Paes em 2018 o fez adotar um novo posicionamento: mais cauteloso em relação ao seu favoritismo para a eleição de 2026, Paes agora busca uma aliança com o PT.
Essa nova estratégia reflete uma mudança significativa em seu discurso e abordagem política. Para muitos analistas, é uma tentativa de se reinventar e se aproximar de uma base que anteriormente tentou excluir. A relação com o PT será um dos focos nas próximas eleições, e o que antes parecia ser um obstáculo, agora pode se transformar em uma oportunidade. As próximas semanas e meses serão cruciais para determinar se esta nova aliança será benéfica para sua campanha.

